31 de Janeiro de 2008 / às 19:31 / 10 anos atrás

Em meio às tensões, investidor local mantém dinheiro na Bovespa

Por Cláudia Pires)

SÃO PAULO, 31 de janeiro (Reuters) - Na contramão dos investidores estrangeiros, que retiraram dinheiro da Bolsa de Valores de São Paulo em janeiro devido à crescente volatilidade, o aplicador local fez uma aposta a favor do mercado brasileiro e manteve seus investimentos na Bovespa.

Entre os dias 2 e 28 de janeiro, o saldo de investimentos de pessoa física na Bovespa .BVSP ficou positivo em 2,4 bilhões de reais, resultado de compras de 26,5 bilhões e vendas de 24,1 bilhões de reais.

Em contrapartida, no mesmo período, o fluxo de recursos dos estrangeiros para o mercado de ações da bolsa paulista ficou negativo em 4,8 bilhões de reais, resultado de compras de 35,7 bilhões de reais e vendas de 40,5 bilhões de reais.

Os estrangeiros têm uma participação de 35,6 por cento na Bolsa, enquanto os investidores pessoa física têm uma participação de 23,5 por cento.

"É preciso lembrar que o investidor local ganhou muito com a bolsa nos últimos anos. Só no ano passado, a Bovespa rendeu mais de 40 por cento. Esse investidor tem muita gordura para queimar e não sairá correndo de uma hora para outra", disse à Reuters Gustavo Barbeito, analista da Prosper Gestão de Recursos.

Para o analista, o aplicador local já criou uma cultura de aplicação em ações. "Esse investidor gerou um estoque permanente para locação na Bovespa."

Barbeito lembra ainda que nenhum outro investimento no Brasil rende tanto quanto à bolsa. Quanto ao estrangeiro, "ele não sai do mercado acionário, mas tira o dinheiro do Brasil e aplica em outra bolsas".

Outro grupo de destaque da Bovespa, o dos investidores institucionais --com participação de 29,7 por cento, também manteve seus investimentos com um saldo positivo de 1,3 bilhão de reais.

Mas os analistas explicam que, mesmo mantendo seus investimentos na Bovespa, os aplicadores locais da bolsa optaram pelos papéis de primeira linha em janeiro, ou seja, aqueles que têm mais liquidez.

"Os papéis de segunda e terceira linha acabaram sofrendo mais com a volatilidade, pois o investidor migra para o que considera mais seguro", disse um operador que não quis ser identificado. "Nestes períodos de tensão e volatilidade, é obviamente mais confortável ter papéis da Vale e da Petrobras, por exemplo", afirma o operador.

Eles também avaliam que, apesar da tensão crescente em relação aos EUA, o cenário interno do país ainda está estável, dando segurança ao investidor.

Pouco antes do fechamento do mês, o Ibovespa acumulava uma queda de 7 por cento em janeiro.

Edição de Alexandre Caverni

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