27 de Novembro de 2007 / às 20:28 / 10 anos atrás

Estreante OGX ofusca Petrobras em leilão de R$ 2,1 bi

Por Denise Luna e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A estreante OGX Petróleo e Gás, subsidiária do grupo EBX do empresário Eike Batista, foi o grande destaque da nona rodada de licitações de blocos de exploração de petróleo do governo, desembolsando cerca de 1,5 bilhão de reais em 21 blocos.

O desempenho da OGX ofuscou a participação da Petrobras, que geralmente domina os leilões da ANP (Agência Nacional de Petróleo), apesar de a estatal ter arrematado 27 blocos, mas por valores menores, cerca de 290 milhões de reais.

A subsidiária da EBX foi responsável, por exemplo, pelo maior valor já pago por um bloco nas rodadas da ANP.

Ela levou por 344 milhões de reais o bloco S-M-270, na promissora bacia de Santos, onde está o recém-descoberto campo gigante de Tupi, da Petrobras.

Antes, o maior lance vencedor tinha sido da italiana ENI, de 307 milhões de reais, por um bloco leiloado no ano passado na oitava rodada da ANP.

A OGX arrematou mais três blocos na bacia de Santos por 254 milhões de reais.

Ao final do leilão, previsto inicialmente para dois dias mas que foi concluído nesta terça-feira, a arrecadação da ANP com as licitações somou o valor recorde de 2,1 bilhões de reais, mais que o dobro do recorde anterior, na sétima rodada, que movimentou 1 bilhão de reais.

Dos 271 blocos oferecidos no leilão, 117 foram arrematados (43 por cento do total), o que revela, segundo o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, um interesse superior ao das rodadas anteriores, que era em torno de 30 por cento.

O resultado foi bastante satisfatório para o governo, já que uma parcela do mercado estava pessimista sobre o evento após a retirada --a poucos dias do leilão-- de 41 blocos de elevado potencial, relacionados à chamada camada pré-sal onde foi descoberto Tupi.

"Isso mostra que as empresas estão dispostas a investir. Não atrapalhou (tirar os blocos). Com certeza teríamos um bônus muito maior, mas o Brasil precisa pensar o que é mais importante para ele", afirmou a jornalistas durante o evento o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner.

Alguns relativizaram a posição do governo.

"O único aspecto que confirma o pessimismo foi que as empresas 'majors' não apresentaram ofertas", disse a consultora do setor de petróleo Marilda Rosado de Sá.

"Foi um leilão de muitas ofertas, feitas por pequenas e médias empresas. Esse é o futuro da nossa indústria, na minha opinião", acrescentou ela.

"As grandes empresas se prepararam para os 41 blocos, estavam concentradas neles", afirmou Haroldo Lima. "Quando foi feita a retirada, elas tiveram dificuldades e desinteresse. A rodada mostrou uma movimentação maior de pequenas e médias empresas... foi uma rodada mais diversificada".

PETROBRAS, NOVOS ATORES

O gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras, Francisco Nepomuceno, admitiu que não esperava tal comportamento da estreante OGX.

A empresa de Eike teve a Petrobras como rival em quatro dos oito blocos que arrematou no primeiro e um dos mais importantes setores ofertados no leilão, o da bacia de Campos.

No bloco C-M-592 de Campos, por exemplo, a Petrobras ofereceu 112,4 milhões de reais pela licitação, mas foi batida pelo lance de 237,2 milhões de reais da OGX.

"Eles vieram forte e quando a empresa decide entrar de qualquer jeito, fica sem comparação", afirmou Nepomuceno, que fez uma ressalva sobre a disputa pelo lote em Campos.

"Na nossa avaliação, o que oferecemos era o que valia o bloco".

Um representante da OGX presente ao leilão, que no entanto pediu anonimato, afirmou que os altos valores desembolsados demonstram a vontade da empresa de crescer no setor.

Ele afirmou que a companhia estava bem preparada financeiramente para a disputa.

"Se fizemos oferta é porque tínhamos caixa", limitou-se a dizer.

O consultor da área de petróleo John Forman disse que as ofertas da Petrobras foram coerentes com o padrão das rodadas anteriores.

"O que mudou foram os novos atores, que entraram com mais apetite do que a Petrobras imaginava", afirmou.

"Até em Rio do Peixe a Petrobras perdeu", afirmou, sobre uma nova fronteira teoricamente menos importante, cujos blocos acabaram em mãos de empresas menores que bateram os lances da estatal.

Outra estreante no leilão da ANP, a Vale do Rio Doce, preferiu atuar somente como parceira em consórcios ao lado da Petrobras.

A mineradora, que está buscando assegurar o fornecimento de energia para suas operações no Brasil, arrematou nove blocos como parceira minoritária, incluindo três na bacia de Santos.

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