Preço e crise do crédito preocupam presidente da PETROBRAS

segunda-feira, 20 de outubro de 2008 22:47 BRST
 

HOUSTON, 20 de outubro (Reuters) - A Petrobras pode ser obrigada a socorrer seus fornecedores menores, pressionados pela atual crise do crédito, no momento em que a estatal prepara-se para viabilizar a extração de gigantescas reservas de petróleo descobertas na costa brasileira, disse o presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, na segunda-feira.

Falando em uma conferência sobre biocombustíveis em Houston, ele afirmou que muitas "incertezas" relacionadas à queda do preço do petróleo e ao aprofundamento de uma crise global de crédito levaram a Petrobras a atrasar o lançamento de seu plano estratégico de negócios por dois meses.

A revisão, que vinha sendo esperada para este mês, pode oferecer detalhes dos investimentos da Petrobras no campo de Tupi, em Santos, na camada do pré-sal, a maior reserva de petróleo já descoberta em águas profundas. A camada estende-se ao longo da costa brasileira, do Espírito Santo à Bahia, e pode conter bilhões de barris de petróleo e gás natural.

Gabrielli disse que explorar o campo de Tupi permanece sendo economicamente viável, mesmo com as recentes e acentuadas quedas do preço do petróleo para metade do nível recorde de 147 dólares o barril atingido em julho passado.

A Petrobras atrasou a entrega de seu plano estratégico para revisar os preços do petróleo e muitos outros fatores que permanecem incertos, disse Gabrielli, como os efeitos da crise sobre a demanda pelo produto por parte de países como a China e as nações africanas e "por quanto tempo".

Gabrielli disse que era necessário obter mais informações sobre as muitas iniciativas energéticas da companhia antes de decidir "aonde nós iremos".

O presidente da Petrobras afirmou também que companhias que estão fabricando equipamentos a serem utilizados na Bacia de Santos devem encontrar financiamento, apesar das condições desfavoráveis no mercado.

Os pequenos fornecedores da Petrobras, no entanto, podem precisar de ajuda, segundo Gabrielli.

"Nós nos preocupamos com a nossa cadeia de fornecedores", disse ele. "A crise do crédito irá afetá-los no começo. Assim, nós temos que tentar ajudá-los a encontrar maneiras de encontrar financiamento."   Continuação...