Aposta de estrangeiro em ações brasileiras é a maior para ano eleitoral

quinta-feira, 22 de maio de 2014 17:35 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - Os estrangeiros estão demonstrando em 2014 apetite inédito pela bolsa brasileira para anos de eleição presidencial no país. Até agora, o saldo desse tipo de investidor na Bovespa está positivo em quase 10 bilhões de reais.

Os dados mais recentes da BM&FBovespa mostram que houve ingresso líquido de capital externo no mercado acionário doméstico de 9,7 bilhões de reais neste ano até 20 de maio.

Em 2010, ano da última eleição presidencial, o estoque era negativo em 2,8 bilhões de reais nos cinco primeiros meses do ano. Em 2006 e 2002, houve ingresso de recursos, mas em montante bem mais tímido, de 1,7 bilhão e de 622 milhões de reais, respectivamente, até maio dos respectivos anos. Nas eleições diretas anteriores (1989, 1994 e 1998), o mercado acionário brasileiro era bem menos desenvolvido, com reduzido volume de negócios.

O aporte líquido de estrangeiros na Bovespa também já se aproxima do visto em todo o ano passado, quando os ingressos foram de 11,7 bilhões de reais, e tem surpreendido até mesmo especialistas.

Uma das justificativas atribuídas ao movimento são expectativas sobre mudanças na condução da política econômica, em um momento de ceticismo de agentes do mercado com o governo Dilma Rousseff e enquanto a presidente perdia terreno nas pesquisas sobre a corrida eleitoral.

Mas a entrada de capital é resultado, principalmente, da reavaliação dos ativos brasileiros, o que indica que os recursos podem permanecer no Brasil por algum tempo, independentemente do rumo das pesquisas eleitorais.

"Tivemos uma realocação de capital no mercado mundial gerada pela necessidade de buscar rendimento. E a crise da Rússia fez países emergentes descontados até o momento ficarem mais atrativos", disse à Reuters o chefe da mesa de ações da corretora do banco suíço Credit Suisse no Brasil, Mauro Oliveira. "Todo mundo subestimou essa necessidade de realocação".

De fato, a grande incursão dos estrangeiros ocorreu a partir de 14 de março, quando o Ibovespa atingiu seu menor nível de fechamento em quase cinco anos. Naquela data, o saldo de capital externo em ações brasileiras estava positivo em pouco mais de 500 milhões de reais. Desde então, na esteira do fluxo de dinheiro para cá, o Ibovespa subiu 16,1 por cento até o fechamento do pregão de 21 de maio.   Continuação...