Vitória de eurocéticos na eleição parlamentar preocupa União Europeia

segunda-feira, 26 de maio de 2014 16:17 BRT
 

Por Paul Taylor e Robin Emmott

BRUXELAS (Reuters) - As vitórias surpreendentes de partidos nacionalistas e eurocéticos da França e da Grã-Bretanha nas eleições parlamentares europeias do fim de semana deixaram a União Europeia preocupada nesta segunda-feira e diante de um enorme dilema político.

Em todo o continente, partidos de extrema direita e esquerda mais do que duplicaram a sua representação, se aproveitando de uma onda de revolta contra Bruxelas por conta da austeridade, dos elevados níveis de desemprego e da imigração.

Embora a centro-direita e a centro-esquerda continuem a controlar mais da metade dos 751 assentos no Parlamento da UE, irão enfrentar um desafio inédito de insurgentes barulhentos determinados a mudar o status quo no bloco integrado por 28 nações.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, classificou o avanço da Frente Nacional, legenda anti-imigração e anti-euro dirigida por Marine Le Pen que liderou a votação francesa pela primeira vez e empurrou os socialistas para a terceira colocação, de um “terremoto” político.

Ele tentou se contrapor a ela de imediato oferecendo mais cortes de impostos para incentivar a cambaleante economia.

Do outro lado do Canal da Mancha, outro tremor despertou temores a respeito da presença britânica na UE no longo prazo. O Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), de Nigel Farage, que advoga a saída imediata do seu país do bloco, derrotou o oposicionista Partido Trabalhista e o Partido Conservador do premiê David Cameron.

Os votos anti-UE aumentaram em muitos países por conta do baixo comparecimento – meros 43,1 por cento –, mas os centristas pró-Europa se mantiveram firmes na Alemanha, maior país-membro da UE e detentor do maior número de cadeiras, assim como na Itália e na Espanha.

A França é um dos Estados fundadores do bloco, e a fraqueza do presidente François Hollande deixa a chanceler alemã, Angela Merkel, sem um parceiro forte para a próxima leva de integrações, o que economistas dizem ser vital para fortalecer o euro, mas deixa os eleitores indiferentes.   Continuação...