Operadoras perdem espaço para varejo na venda de celulares

quinta-feira, 29 de maio de 2014 19:35 BRT
 

Por Luciana Bruno e Marcela Ayres

RIO DEIRO (Reuters) - Grupos varejistas têm ampliado a participação na venda de smartphones, reflexo do maior interesse do comércio pelas altas margens obtidas com esses produtos e da mudança de estrategia das operadoras de telefonia, que buscam aumentar sua rentabilidade ao reduzir a política de subsídios a aparelhos.

A tendência é que essa divisão fique cada vez mais pendente para o lado do varejo, segundo Leonardo Munin, analista da empresa de pesquisa de mercado IDC, tendo em vista o forte crescimento do setor nas vendas de aparelhos nos últimos trimestres.

"Em smartphones, a margem do varejista fica entre 30 e 40 por cento, bem alta na comparação com produtos em geral. O varejista viu que a lucratividade é boa nesse produto", disse Munin. Para efeito de comparação, na linha branca a margem fica entre 10 e 15 por cento, completou.

De acordo com o especialista, o ganho dos varejistas são maiores nos smartphones por conta da alta competição entre fabricantes desses aparelhos no Brasil, com novas marcas entrando no segmento. "Isso ajuda o varejista na hora de negociar com os fabricantes."

Em 2013, as vendas de smartphones no Brasil cresceram 123 por cento na comparação com 2012, para 35,6 milhões de unidades. A expectativa é de crescimento de 30 por cento este ano. Somente no quarto trimestre, as vendas das operadoras subiram 101 por cento, enquanto as do varejo (sem incluir distribuidores) dispararam 214 por cento.

Além da vantagem na barganha de preços com fabricantes, os varejistas oferecem pagamentos parcelados sem juros e sem necessidade de o consumidor se vincular a um plano de voz ou dados, como ocorre nas operadoras que oferecem subsídios para a compra de aparelhos.

No quarto trimestre de 2013, 47 por cento das vendas de smartphones foram feitas por operadoras, sendo 53 por cento pelo chamado "open market", que além do varejo também inclui canais de distribuição, segundo dados do IDC. No mesmo período de 2012, essa proporção era de 55 por cento para as operadoras e o restante para o open market.

Já no acumulado de 2013, a participação das operadoras foi de 49,9 por cento das vendas, enquanto o open market ficou com 50,1 por cento. Em 2012, as operadoras detinham fatia de 59,1 por cento, com o restante para o open market, informou o IDC.   Continuação...