Juan Carlos guiou Espanha para democracia, mas escândalos abalaram imagem

segunda-feira, 2 de junho de 2014 16:15 BRT
 

MADRI (Reuters) - O rei espanhol Juan Carlos, que anunciou nesta segunda-feira seu plano de abdicar do trono, ajudou a guiar a Espanha para a democracia após a morte do ditador Francisco Franco, mas seu reinado de 40 anos foi obscurecido, nos últimos anos, por um escândalo de corrupção e por acusações de que estava alheio ao sofrimento de seu povo com a recessão da economia.

O reinado de Juan Carlos, de 76 anos, é mais conhecido por uma transmissão via televisão que ele fez, em 24 de fevereiro de 1981, condenando a revolta de militares de direita descontentes com reformas democráticas. O vídeo do líder dos rebeldes disparando seu revólver no Parlamento para intimidar deputados foi mostrado em todo o mundo.

“A coroa, símbolo da permanência e da unidade da terra pátria, não pode tolerar quaisquer ações ou atitudes de pessoas que procuram interromper o processo democrático pela força”, disse ele à nação na noite da tentativa de golpe.

Apesar de suspeitas de alguns esquerdistas de que ele havia originalmente encorajado a tentativa, Juan Carlos conseguiu ganhar o respeito de republicanos influentes.

“Se o rei não estivesse lá em 23 de fevereiro, o golpe militar teria triunfado - disso eu não tenho dúvidas”, disse em 2001 o líder veterano do Partido Comunista, Santiago Carrillo, que passou cerca de 40 anos no exílio durante o governo de Franco.

Como monarca, Juan Carlos e sua mulher, a rainha Sophia, é considerado afável e disponível, em contraste com a família real britânica, tida como mais distante. O rei é um marinheiro amador e também aprecia a caça de ursos, andar de ski e pilotar moto.

Mas a imprensa espanhola tradicionalmente trata a família real com uma deferência que faria inveja aos seus semelhantes britânicos, evitando os aspectos mais controversos de sua vida.

Um escândalo de corrupção prejudicou a popularidade do rei nos últimos anos. Sua filha, a princesa, Cristina, e o marido dela, Iñaki Urdangarin, estão sob investigação sobre uma suposta apropriação de 6 milhões de euros em recursos públicos através de uma instituição de caridade.

O próprio rei enfrentou acusações de estar alheio às aflições dos espanhóis, ao ser flagrado em uma custosa viagem de caça a elefantes financiada com dinheiro privado, ao passo que seu povo em casa sofria com uma recessão econômica e alto nível de desemprego.   Continuação...

 
Rei Juan Carlos, da Espanha, durante reunião no Palácio da Zarzuela, próximo a  Madri. Juan Carlos anunciou na segunda-feira que irá abdicar em favor de seu filho mais popular, o príncipe Felipe. 02/06/2014 REUTERS/Susana Vera