EXCLUSIVO-Diretoria da GM foi alertada de sérios problemas de qualidade em 2002

sábado, 21 de junho de 2014 14:49 BRT
 

Por Marilyn Thompson e Ben Klayman

WASHINGTON/DETROIT, 21 Jun (Reuters) - Um ex-chefe de supervisão corporativa de qualidade da General Motors advertiu a diretoria da empresa em uma carta em 2002 que ela precisava "interromper a contínua remessa de veículos inseguros" e "fazer o recall de veículos suspeitos que já estavam nas mãos dos clientes."

A carta de William McAleer mostra que os diretores e a alta administração da GM foram informados dos graves defeitos de segurança em veículos que estavam saindo das linhas de produção da empresa mais de 11 anos antes de a GM fazer o recall de milhões de veículos por problemas nas chaves de ignição ligados a pelo menos 13 mortes. O conteúdo da carta não havia sido publicado anteriormente.

O porta-voz da GM Jim Cain disse que era incapaz de responder a detalhes de eventos ocorridos há 12 anos, mas que a empresa leva as preocupações a sério hoje.

"Nós estamos realizando o que acreditamos ser a mais exaustiva e abrangente revisão de segurança da história da companhia, e isso inclui olhar para veículos que foram construídas na década de 1990. E se encontrarmos qualquer coisa que seja uma questão de segurança, nós vamos agir", ele disse.

McAleer, ex-chefe de um grupo responsável pelo controle de qualidade em carros cuja remessa era feita na América do Norte, disse que sua unidade regularmente achava sérios problemas em veículos novos e que quando ele levantou suas preocupações, recebeu a resposta de que sua equipe deveria ficar de fora de problemas de segurança.

Ele disse à diretoria que a empresa deveria interromper a remessa de carros inseguros, lançar recalls, e revisar controles de qualidade para tornar a companhia "independente de política corporativa e de preocupações com redução de custos."

McAleer afirmou que foi transferido do seu posto no final de 1998. Registros de tribunal mostram que ele processou a GM sem sucesso pelo menos quatro vezes, visando principalmente proteção como denunciante.

Uma cópia da carta foi enviada a cada um dos 12 diretores da época, incluindo o então presidente-executivo Rick Wagoner e o então presidente John Smith.   Continuação...