ENTREVISTA-Banco Votorantim coordenará atividades do Banco do Brasil fora das agências

terça-feira, 1 de julho de 2014 21:03 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Recém-egresso de uma dolorosa reestruturação de dois anos e meio, o Banco Votorantim dá os primeiros passos de um processo de diversificação dos negócios, com o qual pretende fazer sua rentabilidade sair do chão para níveis semelhantes aos de seus principais concorrentes até 2016.

O eixo da estratégia é gradualmente gerir mais atividades de seu sócio Banco do Brasil fora das agências, passando com isso a ter uma maior parcela das receitas com serviços, disse nesta terça-feira o presidente-executivo do Banco Votorantim, João Teixeira.

"Vamos explorar as atividades de varejo que o Banco do Brasil não quiser fazer sozinho", disse o executivo à Reuters. "Ao mesmo tempo, ficamos menos dependentes do mercado automobilístico."

Hoje, a carteira de automóveis responde por cerca de três quartos da carteira de varejo do Banco Votorantim, de cerca de 40 bilhões reais. O setor automotivo, que teve em 2013 a primeira queda nas vendas em uma década, segue fraco, em meio a uma menor oferta de crédito dos bancos e à fraca atividade econômica do país.

O plano em andamento avança à medida que o Banco Votorantim, líder em concessão de financiamento para automóveis usados no país, busca alternativas para ficar menos vulnerável a um mercado cujo estouro da inadimplência dos últimos anos o levou a prejuízos de 2,5 bilhões de reais entre 2012 e 2013.

O ajuste envolveu reduzir a produção de crédito de 3 bilhões para 1 bilhão de reais ao mês e o corte de 40 por cento da equipe, hoje com cerca de 5,3 mil funcionários.

Com a página da reestruturação em direção ao retrovisor, o Votorantim agora se concentra em planos ambiciosos. "O lucro deve dar um salto em 2015; em 2016 deve ter uma rentabilidade semelhante à da média do sistema financeiro", disse ele acrescentando que nos últimos nove meses o banco tem operado no azul.

No varejo, o foco é explorar a complementaridade com o BB, do qual planeja gerir as atividades de serviços fora das agências, como correspondentes bancários e até do Banco Postal, gerando negócios como crédito, cartões, seguros etc.   Continuação...