Dólar fecha acima de R$2,25 pela 1º vez em 6 semanas, por aversão a risco

quinta-feira, 17 de julho de 2014 17:56 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltou mais de 1 por cento nesta quinta-feira e fechou acima do teto informal de 2,25 reais pela primeira vez desde o início de junho, por preocupações com o aprofundamento da crise na Ucrânia e expectativas de menor ingresso de recursos no Brasil.

A moeda norte-americana avançou 1,64 por cento, a 2,2588 reais na venda, maior patamar desde 5 de junho, quando fechou em 2,2608 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,7 bilhão de dólares.

"Tivemos mais notícias relevantes hoje do que em toda a semana passada e absolutamente nenhuma delas foi favorável ao real", resumiu o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

A aversão ao risco foi generalizada nos mercados globais. Um avião de empresa aérea da Malásia foi derrubado no espaço aéreo ucraniano, perto da fronteira russa, causando 295 mortes e aprofundando drasticamente o conflito entre o governo de Kiev e os rebeldes pró-Rússia.

A notícia piorou ainda mais o humor dos investidores, já abalado após os Estados Unidos e a União Europeia anunciarem na véspera sanções mais duras contra a Rússia por conta da crise na Ucrânia. As novas sanções afetam empresas russas importantes, como o terceiro maior banco do país, o Gazprombank, e a Rosneft Oil, maior produtora de petróleo da Rússia.

"Não temos informações detalhadas sobre o avião, então todo mundo está com medo de que isso seja sinal de que a crise geopolítica na Ucrânia vai piorar", afirmou o economista-chefe do Espírito Santo Investment Bank, Jankiel Santos.

Nesse contexto, investidores evitaram ativos mais arriscados e buscaram outros considerados mais seguros, como o dólar e o iene. A aversão ao risco também derrubou os rendimentos da dívida pública dos EUA e os preços das ações em Wall Street.

No Brasil, a alta do dólar também refletiu expectativas de menor fluxo de entrada de divisas para a economia brasileira, após o BC manter na véspera a taxa básica de juros em 11 por cento ao ano.   Continuação...