PMDB quer discutir participação de Dilma e Lula em palanques estaduais; PT resiste

sexta-feira, 18 de julho de 2014 14:39 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O PMDB quer definir nas próximas semanas critérios para a participação da presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas disputas estaduais com o objetivo de garantir que os candidatos do partido não migrem para uma campanha adversária no segundo turno, disse uma fonte da legenda que integra o comitê de campanha.

O PT também quer dialogar, segundo uma outra fonte do comitê, mas não aceitará esse tipo de condicionamento a Lula, especialmente onde os dois partidos se enfrentam diretamente e o ex-presidente poderia desequilibrar a disputa favor dos petistas. Além disso, a fonte argumentou que nos Estados há mais petistas apoiando peemedebistas do que o inverso.

PT e PMDB encabeçam chapas estaduais e se enfrentam em nove Estados.

O que move o PMDB, segundo a fonte da legenda ouvida pela Reuters sob condição de anonimato, são as recentes pesquisas eleitorais que apontam uma vantagem cada vez menor de Dilma em relação aos adversários no primeiro e no segundo turno da eleição.

Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou uma nova redução da vantagem da petista, que já aparece empatada tecnicamente com o candidato do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), numa simulação de segundo turno. A vantagem da petista sobre o tucano no primeiro turno também caiu dois pontos percentuais. [ID:nL2N0PT02D]

"Essa estrada de acordos precisa começar a ser pavimentada agora. É preciso definir critérios para que ao longo da disputa o esgarçamento eleitoral não prejudique o cenário do segundo turno", argumentou o peemedebista.

A aliança entre PT e PMDB foi selada em meio a uma forte divisão entre os peemedebistas e mais de 40 por cento da legenda foi contra apoiar Dilma à reeleição. Segundo essa fonte, a tensão no partido diminuiu, mas agora os candidatos a governador são novos focos independentes de tensão. [ID:nL2N0OS0DG]

Para pressionar por esse acordo, o PMDB reconduziu o vice-presidente Michel Temer à presidência da legenda, da qual estava licenciado. Os peemedebistas acreditam que ele tem mais condições de verbalizar dentro da aliança os anseios do partido. [ID:nL2N0PR2XG]   Continuação...