Montadoras de veículos no Brasil devem seguir contendo produção, diz Ford

sexta-feira, 25 de julho de 2014 17:39 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As montadoras de veículos instaladas no Brasil devem continuar promovendo ajustes para conter produção, pressionadas por estoques elevados e vendas ainda apontando para baixo, afirmou nesta sexta-feira um executivo de alto escalão da Ford.

Segundo Rogélio Golfarb, vice-presidente de assuntos corporativos da Ford para a América do Sul, as vendas de veículos novos no Brasil em julho até a quinta-feira mostram queda de 14,7 por cento sobre o mesmo período do ano passado, mesmo após o governo ter adiado para o fim do ano aumento da carga tributária do setor.

Com isso, no acumulado de janeiro até quinta-feira, as vendas de veículos novos no Brasil mostram queda de 8,5 por cento sobre o mesmo período de 2013.

"Até o momento, não há uma clara indicação de retomada, a média diária está em 12.300 a 12.500", afirmou o executivo após evento em que exibiu a nova versão do compacto Ka que pode ser equipada com sistema de pedido de socorro aos ocupantes, em caso de acidente com o veículo. Em maio, por exemplo, a média de vendas por dia útil foi de cerca de 13,7 mil veículos.

No primeiro semestre, as vendas de veículos novos no Brasil caíram 7,6 por cento, enquanto a produção recuou 17 por cento. Apenas no segundo trimestre, as vendas tombaram 12 por cento sobre um ano antes e a produção desabou 24 por cento.

Apesar da forte queda na produção, gerada por férias coletivas, turnos de trabalho menores e suspensão de contratos de trabalhadores, a indústria terminou junho com estoque praticamente estável sobre maio, a 395,4 mil unidades.

Na avaliação de Golfarb, é justamente o estoque ainda elevado após o ajuste de produção do setor que preocupa.

"Apesar das medidas de ajuste de produção, não se conseguiu baixar os estoques (...) O grande desafio é esse ritmo de vendas com uma indústria muito estocada, incluindo distribuidores", afirmou o executivo.

A associação que representa as montadoras, Anfavea, já havia informado no início deste mês, quando cortou suas previsões para o restante do ano, que esperava ver certa recuperação nas vendas do segundo semestre em relação à fraca primeira metade de 2014, mas que os licenciamentos do período ficariam abaixo de um ano antes.   Continuação...