OBITUÁRIO-Eduardo Campos era político obstinado e negociador hábil

quarta-feira, 13 de agosto de 2014 14:58 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, era um gestor obstinado e negociador político hábil e duro.

Campos, que morreu aos 49 anos nesta quarta-feira em um acidente de avião em Santos, era o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto e contava com a propaganda na TV e no rádio para emplacar sua plataforma da "nova política", colando ainda mais seu nome na companheira de chapa, a ex-senadora Marina Silva.

Herdeiro político do lendário Miguel Arraes, um dos ícones brasileiros da resistência à ditadura militar, Campos teve seu aprendizado nos palanques logo cedo, quando participou ativamente da eleição do avô para o governo de Pernambuco em 1986.

Uma vez Arraes eleito, Campos foi seu chefe de gabinete, partindo daí para construir sua própria carreira política.

Mas se o ponto de partida foi o avô, quem conheceu um e conhecia o outro via fortes distinções. "Ele gerencialmente é melhor que o avô. Politicamente é mais autoritário que o avô", resumiu um político pernambucano à Reuters há alguns meses.

Em um campo de futebol, nas palavras de um ex-assessor próximo, Arraes seria um meia cerebral, capaz de lançamentos precisos e com ampla visão de jogo. Campos trazia mais um perfil para o ataque, jogaria com a camisa de centroavante, mas não daqueles trombadores.

As diferenças entre eles também eram atribuídas ao ambiente político em que os dois foram forjados. Arraes enfrentou a ditadura e aprendeu a fazer política nas dificuldades do sertão. Campos desenvolveu seu traquejo político na democracia e com mais condições do que o avô.

A obstinação herdada, porém, provavelmente era seu traço mais marcante.   Continuação...

 
Candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, durante anúncio da filiação de Marina Silva ao PSB, em Brasília. 5/10/2013.  REUTERS/Ueslei Marcelino