13 de Agosto de 2014 / às 21:00 / 3 anos atrás

Candidato à Presidência Eduardo Campos morre em acidente de avião

Ex-governador de Pernambuco e candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, durante discurso na CNI, em Brasília. Campos morreu em um acidente de avião nesta quarta-feira. 30/7/2014.Ueslei Marcelino

SANTOS (Reuters) - O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, morreu em um acidente de avião na manhã desta quarta-feira no litoral de São Paulo, lançando novas incertezas sobre o desfecho das eleições de outubro.

O avião que levava Campos do Rio de Janeiro a Santos, onde o socialista cumpriria agenda de campanha, arremeteu quando se preparava para pousar no aeroporto da cidade vizinha de Guarujá. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o jato Cessna 560XL.

Campos, 49 anos, foi governador de Pernambuco e tinha cerca de 10 por cento das intenções de voto nas últimas pesquisas para a corrida presidencial. Ele se posicionava como um socialista pró-empresários e foi aliado até o ano passado da presidente Dilma Rousseff, que tenta a reeleição.

A candidata à vice na chapa do PSB à Presidência, a ex-senadora Marina Silva, não estava no avião.

Visivelmente abalada, Marina disse em pronunciamento que a morte de Campos "é sem sombra de dúvida uma tragédia". "Durante esses 10 meses de convivência, aprendi a respeitá-lo, admirá-lo e a confiar nas suas atitudes e nos seus ideais de vida", disse Marina a jornalistas em Santos. Ela não respondeu a perguntas após sua fala.

Campos estava atrás de Dilma e Aécio Neves (PSDB) na corrida presidencial e ainda não tinha conseguido capitalizar a presença ao seu lado de Marina, que na eleição de 2010 teve quase 20 milhões de votos.

A equipe do socialista acreditava que as intenções de voto de Campos subiriam com a propaganda eleitoral gratuita, a partir de 19 de agosto, com a maior exposição do candidato na mídia e eventos de campanha.

Em Brasília, Dilma decidiu suspender todas as atividades da campanha por três dias em respeito à morte de Campos. "O Brasil inteiro está de luto. Perdemos hoje um grande brasileiro... Perdemos um grande companheiro", disse a presidente, para quem Campos poderia ter galgado os mais altos postos do país.

Aécio também cancelou sua agenda de campanha. "É com imensa tristeza que recebi a notícia do acidente que vitimou o ex-governador e meu amigo Eduardo Campos. O Brasil perde um dos seus mais talentosos políticos, que sempre lutou com idealismo por aquilo em que acreditava", disse o tucano, que estava no Nordeste.

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestaram sobre a tragédia.

"Certamente ele teria uma presença marcante para o futuro do Brasil, e o Brasil precisa de líderes com visão, com capacidade de compreender a situação e de não guardar ódio, rancores, animosidade. O Eduardo era assim", afirmou FHC.

Para Lula, o país perdeu um homem público de rara e extraordinária qualidade. "Ao longo de toda sua vida, Eduardo lutou para tornar o Brasil um país mais justo e digno", disse.

Campos era casado com Renata e deixa cinco filhos.

ESTRATEGISTA

O socialista começou na política aos 21 anos, quando participou ativamente da eleição de seu avô, Miguel Arraes, um dos ícones da esquerda na resistência à ditadura militar, para o governo de Pernambuco em 1986.

Após ocupar cargos na administração do avô, de ser eleito deputado estadual e federal, ser o ministro mais jovem do governo Lula e se eleger governador duas vezes, Campos iniciou 2013 embalado pelo desempenho notável do PSB nas eleições municipais do ano anterior.

Campos convenceu seu partido a abandonar o governo Dilma no ano passado. Em outubro, num movimento surpreendente, atraiu Marina para o PSB, colocando juntos dois ex-aliados do PT na disputa contra Dilma nas eleições deste ano.

O posicionamento de Marina no tabuleiro eleitoral era amplamente esperado, depois que o partido que ela buscava criar com vistas às eleições, a Rede Sustentabilidade, teve o pedido de registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

MARINA CANDIDATA?

Marina é agora o nome natural para substituir Campos como candidata à Presidência pelo PSB. Segundo a assessoria do TSE, em caso de falecimento do candidato, a coligação tem 10 dias para pedir à Justiça Eleitoral o registro de um novo nome para concorrer ao Planalto.

Marina parecia satisfeita com o posto de vice e nunca demonstrou em público qualquer apetite para assumir a liderança de uma chapa presidencial. Mas a tragédia envolvendo Campos torna imprevisível como reagirá a ex-senadora.

Ainda que pessoalmente Campos e Marina mostrassem sintonia, havia divergências entre integrantes do PSB e da Rede em temas como as coligações estaduais para as eleições.

Para o diretor da consultoria Eurasia para América Latina, João Augusto de Castro Neves, a visão preliminar é que a potencial ascensão de Marina a candidata pelo PSB tornaria a eleição "muito mais competitiva".

"Isso torna a eleição mais preocupante para Aécio, já que ambos Marina e Aécio têm chances de ir ao segundo turno. Isso torna mais difícil para Dilma, já que ela preferiria ir para um, segundo turno com o Aécio e não com Marina", afirmou Castro Neves à Reuters.

Para o senador petista Eduardo Suplicy (SP), é de se esperar que PSB e Marina "considerem que ela será a candidata a presidente". "Ela constitui uma força política extraordinária e acredito que possa vir a acontecer de ela vir a substituir o Eduardo Campos como candidata. Certamente, ela será um valor importante na disputa presidencial", afirmou Suplicy.

No mercado financeiro, os principais ativos brasileiros inverteram o rumo imediatamente após a notícia do acidente do avião com Campos. A Bovespa chegou a cair mais de 2 por cento, o dólar anulou a queda ante o real e os contratos de juros futuros mais longos passaram a subir.

Com reportagem de Jeferson Ribeiro e Maria Carolina Marcello, em Brasília, e Redação Reuters São Paulo

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