CENÁRIOS-Agronegócio não teme Marina como temia ex-ministra, mas ainda há cautela

sexta-feira, 15 de agosto de 2014 20:01 BRT
 

Por Roberto Samora e Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Aquela Marina Silva que deixou o Ministério do Meio Ambiente do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariada pela expansão de grãos e da pecuária na Amazônia Legal já não preocupa tanto representantes do agronegócio, embora parte do setor ainda tenha algumas ressalvas.

A avaliação de duas importantes entidades representativas do setor é que, como herdeira da candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República, Marina estaria comprometida com as propostas do ex-governador de Pernambuco morto tragicamente em acidente aéreo em Santos nesta semana.

Na hipótese de Marina ser indicada como substituta de Campos na cabeça de chapa do PSB, avaliaram líderes de associações do agribusiness brasileiro, ela defenderá as mesmas propostas do socialista, que considerava possível produzir alimentos de forma sustentável, contando inclusive com mais apoio do governo.

"O que mais me agradou no discurso do Eduardo Campos era o discurso efetivo sobre a sustentabilidade do agronegócio, o quanto ele considerava, e o quanto precisava de política pública para o desenvolvimento dessa sustentabilidade", disse à Reuters o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

"Nisso, nós ficamos muito animados com o discurso (de Campos). Quando ele falava nisso (sobre sustentabilidade ambiental do agronegócio), entendíamos que ela (Marina) estava por trás apoiando o discurso dele", acrescentou Carvalho.

O dirigente da Abag acredita que o posicionamento de Campos foi construído juntamente com Marina. Por isso, avalia ser improvável que haja grandes guinadas, na hipótese de ela ser a candidata à presidência da República pelo PSB.

"Ela tinha esse compromisso com ele (Campos) e conosco... Ambos tinham objetivo claro de mudanças e construíram juntos um padrão de mudança no qual o agronegócio era uma plataforma fundamental de crescimento e desenvolvimento do país."

A Abag congrega desde as principais multinacionais do agronegócio, empresas agrícolas listadas na Bovespa e bancos até associações como a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). A posição de seu presidente, porém, contrasta com a de outros integrantes do setor, que ainda veem Marina com posições antagônicas ao agronegócio e até contra o plantio de transgênicos.   Continuação...

 
Ex-senadora Marina Silva, em foto de arquivo. REUTERS/Ueslei Marcelino