PSB tem de decidir logo sobre candidatura para retomar campanha, dizem analistas

sexta-feira, 15 de agosto de 2014 20:00 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - Uma demora na definição de quem será o candidato da coligação liderada pelo PSB à Presidência pode atrapalhar na retomada da campanha após a trágica morte de Eduardo Campos na quarta-feira, disseram analistas nesta sexta-feira, prevendo que a escolha da ex-senadora Marina Silva para a cabeça de chapa exigirá uma negociação difícil.

A ex-senadora só se filiou ao PSB em outubro do ano passado, após não conseguir criar seu próprio partido e chegou à legenda graças a uma negociação liderada por Campos, que vinha mediando as divergências dela com os socialistas até aqui.

"O prazo legal é de 10 dias, o prazo político não", disse o cientista político do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) Carlos Melo, referindo-se ao fato de que, pela legislação eleitoral, os seis partidos que compõem a coligação tem até o dia 23 para substituir Campos.

"Se você demora muito para tomar uma decisão, você perde o tempo político. E o sinal que você passa é de indecisão", acrescentou.

No cronograma político, que pode estar sendo considerado pelas lideranças socialistas, está, além do prazo estipulado pela legislação eleitoral, o início do horário eleitoral obrigatório, marcado para terça-feira.

O PSB tem dito que não tomará nenhuma decisão até que seja concluída a identificação do corpo de Campos, morto com outras seis pessoas quando o avião em que estava caiu em Santos, no litoral paulista, e seus restos mortais sejam sepultados em Recife.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) disse mais cedo à Reuters que a expectativa é de que o corpo de Campos seja liberado pelo Instituto Médico Legal de São Paulo na manhã de sábado e que o enterro aconteça no domingo.

O partido deve realizar uma reunião na quarta-feira para definir sobre o futuro da coligação, e segundo o deputado Roberto Freire (SP), presidente do PPS, um dos partidos da coligação, o consenso que vem sendo construído aponta para Marina. [nL2N0QL286]   Continuação...

 
Ex-senadora Marina Silva durante anúncio de que entraria no PSB, em Brasília. 05/10/2013. REUTERS/Ueslei Marcelino