Pesquisa Datafolha traz números ruins mas também boas notícias para Dilma

segunda-feira, 18 de agosto de 2014 14:24 BRT
 

Por Brian Winter

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar de uma nova pesquisa eleitoral mostrar que a presidente Dilma Rousseff (PT) repentinamente enfrenta uma estrada mais difícil de reeleição, ela também viu uma forte recuperação nos índices de aprovação de seu governo e apoio resiliente de eleitores no que deverá ser provavelmente o período mais emocional e volátil da campanha.

A sondagem Datafolha, a primeira desde a trágica morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB) em um acidente de avião na semana passada, foi divulgada na madrugada desta segunda-feira e mostra um empate técnico no caso de um segundo turno entre Dilma e a provável substituta de Campos, a ex-senadora e ambientalista Marina Silva.[nL2N0QO090]

Embora com cautela, os mercados financeiros no Brasil reagiram bem após a pesquisa aparentemente excluir qualquer chance de que Dilma possa evitar um segundo turno e vencer a eleição em 5 de outubro.

Muitos investidores não gostam de Dilma e o mercado acionário local subiu nos últimos meses toda a vez que surgiu um novo sinal de que ela pode não ser reeleita.

No entanto, há vários sinais fortes em favor de Dilma na pesquisa Datafolha mais recente, e a moeda brasileira e a Bovespa reduziam o ímpeto inicial desta sessão, com investidores olhando mais atentamente para os números do levantamento.

O percentual de eleitores que dizem que o governo Dilma é "bom" ou "ótimo" subiu seis pontos em relação à pesquisa anterior do Datafolha em julho, para 38 por cento agora. Quem disse que o atual governo é "ruim" ou "péssimo" diminuiu seis pontos, para 23 por cento, enquanto aqueles classificando-o como "regular" continuaram em 38 por cento.

"Pelo lado da Dilma, é óbvio ser ruim o fato de ter aumentado a chance de segundo turno. Mas a pesquisa mostra que, por incrível que pareça, a aprovação dela cresceu bem. E acreditamos que essa variável é ainda mais importante do que a intenção de voto nesse estágio da campanha", disse à Reuters o diretor para a América Latina da consultoria de risco político Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves.

"Depois de vários meses de noticiário negativo para ela, o fato de a popularidade ter aumentado é uma luz no fim do túnel. Foi uma boa notícia para ela", acrescentou.   Continuação...