PERFIL-Lançada ao centro do palco eleitoral por tragédia, Marina levará bandeira da "nova política"

quarta-feira, 20 de agosto de 2014 20:56 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - A ex-senadora Marina Silva se vê lançada ao centro do palco eleitoral com a súbita morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e agora terá de levar adiante sozinha o projeto construído com o aliado no ano passado, quando teve rejeitada pela Justiça Eleitoral a tentativa de fundar um novo partido.

Com perfil bem menos conciliador que Campos, que morreu em um acidente aéreo no caminho para um evento de campanha no litoral paulista, Marina chega à cabeça de chapa do PSB sem, na verdade, pertencer ao partido.

Nascida em um seringal no Acre, Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima tem 56 anos e foi colega de Campos no ministério do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva --ela no Meio Ambiente, ele na Ciência e Tecnologia. Ambientalista de carteirinha, militou ao lado de Chico Mendes, assassinado em 1988.

Marina tem uma ligação histórica com o PT, onde ficou por 24 anos e partido pelo qual foi eleita senadora no Acre, tornando-se a política mais jovem a chegar ao Senado, com 36 anos.

Com a eleição de Lula em 2002, foi uma dos primeiros nomes anunciados pelo ex-presidente para seu ministério, mas acabou saindo do governo em meio a atritos, especialmente com o Ministério da Agricultura e com a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em maio de 2008.

“Esta difícil decisão, senhor presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal”, escreveu Marina em sua carta de demissão a Lula.

Marina se alfabetizou somente aos 16 anos, quando se mudou do seringal para a capital acriana Rio Branco com o sonho de ser freira, que não se realizou.

Mais tarde, porém, tornou-se evangélica e frequenta a Assembleia de Deus. Já se posicionou pessoalmente contra o aborto, embora tenha defendido que a questão fosse discutida pela sociedade.   Continuação...