COLUNA-Voto útil casado pode complicar a vida de Aécio e Marina

sexta-feira, 22 de agosto de 2014 10:36 BRT
 

(O autor é editor de Front Page do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são do autor do texto)

Por Alexandre Caverni

SÃO PAULO (Reuters) - O maremoto causado pela entrada de Marina Silva na corrida presidencial como candidata do PSB na esteira da morte de Eduardo Campos está longe de acabar e ainda é cedo para fazer apostas firmes sobre os próximos desdobramentos, mas dá para pensar que o chamado voto útil pode voltar à tona.

Mas de um modo um pouco mais complexo do que normalmente, o que poderá ser decisivo para Marina e para o candidato do PSDB, Aécio Neves.

Geralmente, o voto útil surge em eleições que se decidem em um turno só ou quando a disputa já está num segundo turno. Isso porque ele consiste basicamente, mais do que escolher alguém, em votar no candidato que tem mais chances de derrotar quem o eleitor quer que perca.

Três exemplos da história ajudam a mostrar isso claramente, o primeiro deles quando os dois turnos ainda não eram adotados no Brasil.

Na eleição para prefeito de São Paulo em 1988, a então candidata do PT, Luiz Erundina, se beneficiou da altíssima rejeição de Paulo Maluf (PDS) na época --rejeição essa embalada por ele ter sido o último candidato a presidente em eleição indireta apoiado pelos militares no poder-- e acabou eleita, contrariando todos os prognósticos.

Dois anos depois, na eleição para o governo paulista, foi a vez de Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), um ex-secretário de Segurança Pública sem experiência eleitoral, se beneficiar da rejeição a Maluf e vencer no segundo turno.   Continuação...