Marina diz que "medo" é a pior forma de se fazer política

quarta-feira, 3 de setembro de 2014 12:55 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Em resposta às insinuações de que pode ser um novo Jânio Quadros ou outro Fernando Collor de Mello, ex-presidentes que não concluíram seus mandatos, a presidenciável Marina Silva (PSB), afirmou que o "medo" é a pior forma de fazer política.

"Infelizmente quem está querendo ressuscitar o medo é a presidente Dilma (Rousseff). E a pior forma de se fazer política é pelo medo", disse a candidata, em entrevista ao portal de notícias G1 nesta quarta-feira.

"Eu prefiro fazer política pelas duas coisas que orientaram a minha vida: pela esperança e pela confiança", disse a candidata do PSB.

Na terça-feira, a propaganda de Dilma na TV exibiu trechos em que um locutor questiona a governabilidade de um eventual governo de Marina, citando Jânio e Collor como momentos em que o país escolheu "salvadores da pátria" e "chefes do partido do eu sozinho".

"E a gente sabe como isso acabou", diz a voz. Jânio renunciou e Collor sofreu impeachment.

No mesmo dia, mais tarde, o vice na chapa da candidata do PSB, Beto Albuquerque, classificou as comparações como lacerdismo e golpismo. Albuquerque disse que não esperava "esse retrocesso", argumentando que foi a mesma estratégia usada contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no passado.

Antes de seu candidato a vice, a própria Marina já tinha rebatido a comparação.

"A sociedade brasileira me conhece, conhece os valores que eu defendo, a luta que eu tenho há mais de 30 anos. Eu comecei como vereadora, comecei como deputada, fui senadora por 16 anos, ministra do Meio Ambiente", disse Marina em sabatina no portal do jornal O Estado de S. Paulo na Internet.

"Imagina se eu dissesse que uma pessoa que nunca foi eleita nem vereadora, se eleita presidente do Brasil, aí sim, poderia parecer Collor de Mello", disparou a candidata do PSB.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

 
Candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, fala durante entrevista ao portal do jornal O Estado de S. Paulo.  2/9/2014 REUTERS/Nacho Doce