ANÁLISE-Eleitorado evangélico cresce e tem potencial para decidir eleição presidencial

quarta-feira, 3 de setembro de 2014 18:52 BRT
 

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O eleitorado evangélico é crescente no país e como representa um dos segmentos mais coesos da sociedade, tem o potencial de decidir a eleição presidencial deste ano. Essa é a avaliação de analistas que ponderam também que os valores religiosos não são as principais preocupações dos eleitores.

Para eles, posições contrárias à homossexualidade ou ao aborto não subtraem ou somam votos de uma candidatura, mas ganham destaque na disputa, como o episódio da revisão do capítulo sobre direitos para homossexuais do programa de governo de Marina Silva (PSB), que é evangélica.

O grande poder de comunicação das lideranças evangélicas mobiliza este segmento, assim como um sentimento de solidariedade com candidatos que sigam a mesma orientação religiosa.

"Esse segmento da população tem uma orientação de solidariedade com outros evangélicos, quer por referência moral, quer por disciplina de organização", disse a socióloga e especialista em análise de pesquisas de opinião Fátima Pacheco Jordão.

Ela lembrou que as várias vertentes evangélicas existentes no país possuem meios de comunicação de massa, como emissoras próprias e espaços alugados em canais de TV.

"Eles estão se tornando players, agentes importantes no cenário político. Já são, aliás. E do jeito que a coisa anda, é possível que nós tenhamos pela primeira vez uma presidente evangélica."

Marina, que é membro da Assembleia de Deus, é a principal destinatária dos votos dos evangélicos. Segundo a última pesquisa do Datafolha, ela cresceu 17 pontos entre os evangélicos pentecostais e outros 17 pontos entre os não-pentecostais.

De acordo com o levantamento, entre os pentecostais, grupo no qual a igreja frequentada pela ex-senadora está, Marina tem 41 por cento das intenções de voto, contra 30 por cento da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, e 11 por cento do tucano Aécio Neves.   Continuação...

 
Candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, durante evento de campanha na Faculdade de Medicina da USP em São Paulo. 03/07/2014.  REUTERS/Nacho Doce