Na reta final, PT e Dilma calibram críticas a Marina e reforçam promessas de mudanças

sexta-feira, 5 de setembro de 2014 13:04 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O foco da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) nessa reta final será a disputa direta com a candidata do PSB, Marina Silva, mas a intensidade e o conteúdo das críticas à adversária estão sendo calibrados para evitar que ela se vitimize com os ataques e amplie a vantagem numa disputa de segundo turno.

O trabalho de "desconstrução" de Marina, no entanto, não será suficiente para garantir a vitória no final de outubro, na avaliação de membros da campanha petista. Por isso, Dilma passou a adotar nos últimos dias um tom mais autocrítico em relação a sua gestão e, na quarta-feira, disse que um novo governo significa "atualização de políticas e das equipes".

O alcance desse mea-culpa, entretanto, ainda é incerto, já que a postura foi assumida depois de muita resistência de Dilma.

Há semanas, segundo uma fonte do comitê de campanha ouvida pela Reuters, vários aliados, ministros do governo e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendiam que a presidente reconhecesse que sua gestão não tinha apenas acertos e que seriam feitos ajustes após a reeleição.

Esse "tom mais humilde", explicou a fonte, poderia ajudar a conquistar eleitores que estão descontentes com algumas ações do governo, mas dariam uma nova chance a Dilma se percebessem a disposição para mudanças.

"O governo... tem muita coisa para mostrar, mas há dificuldades na economia, que precisam ser reconhecidas e que a presidente tem condições de apontar soluções", afirmou a fonte, lembrando que os apelos dos aliados para esse novo tom sempre recaem sobre o desempenho aquém do esperado na economia.

Já a estratégia de ataques a Marina está um pouco mais clara.

Um ministro disse à Reuters, sob condição de anonimato, que o roteiro de críticas passa pela inconsistência das propostas do programa de governo da adversária, pela postura "liberalizante" de propor a autonomia legal do Banco Central e um papel menor dos bancos públicos na economia, além de ataques à proposta de reforma política que, na avaliação dos petistas, não contempla o fortalecimento dos partidos.   Continuação...

 
Presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff  posa para foto com eleitor em São Bernardo do Campo. 02/09/2014 REUTERS/Paulo Whitaker