Aécio atacará Marina e Dilma para tentar virada ou ao menos manter alguma força eleitoral

sexta-feira, 5 de setembro de 2014 13:09 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro e Eduardo Simões

BRASÍLIA (Reuters) - O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, inicia os 30 dias finais de campanha numa situação que nunca ocupou na política, a de franco atirador, em busca de uma virada histórica para chegar ao segundo turno ou, ao menos, ter força eleitoral para manter a relevância e negociar um acordo com a candidata do PSB, Marina Silva.

Para isso, Aécio, que caminha para protagonizar o pior desempenho de um presidenciável tucano desde 1989, segundo as pesquisas, pretende atuar em duas frentes de batalha: atacar o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) ao mesmo tempo que busca retratar Marina Silva (PSB) como alguém que faz propostas inviáveis, não tem equipe e tem ligação com o petismo.

"É concentrar nos maiores colégios eleitorais, contestar o Brasil imaginoso da Dilma, que ela apresenta, e colocar a Marina como ela é. Não tem estrutura partidária, não tem quadros", disse à Reuters o coordenador da campanha de Aécio, senador Agripino Maia (DEM-RN). "Temos confiança de que ele (Aécio) vai voltar a crescer."

Na quarta-feira, após o Ibope e o Datafolha mostrarem que suas intenções de voto se estabilizaram em torno dos 15 por cento, os tucanos respiraram aliviados, mas um dos estrategistas ouvidos pela Reuters ainda classificava como "muito difícil" uma virada, apesar das constantes declarações públicas de Aécio mostrar confiança de que irá ao segundo turno. [nE5N0O603T] [nL1N0R42PK]

Mesmo diante dessa análise, que chegou até a ser mais sombria antes das pesquisas, o plano de voo dos tucanos para os próximos 30 dias aponta para discursos cada vez mais incisivos contra Marina, sem esquecer de mirar no governo também.

O tucano tem repetido em suas aparições públicas que Marina seria uma "nova aventura" que causará "frustrações aos brasileiros". Sobre Dilma, Aécio tem reiterado a avaliação de que a presidente "fracassou" e por isso perderá as eleições.

A campanha de Aécio vai também tentar criar a imagem de que Marina é, na verdade, uma mudança que mantém o PT no poder, já que a ex-senadora foi filiada ao partido por 24 anos.

Na propaganda de TV, nos debates e nas entrevistas será constantemente lembrado que Marina continuou filiada ao PT depois do escândalo do mensalão, que foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e resultou na prisão das principais lideranças petistas, que se posicionou, assim como o PT, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e contra o Plano Real.   Continuação...

 
Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, faz campanha em Santos. 03/09/2014 REUTERS/Paulo Whitaker