5 de Setembro de 2014 / às 15:33 / 3 anos atrás

Sob pesada artilharia, Marina tenta atravessar reta final sem cometer erros

Marina Silva faz campanha na Rocinha, no Rio de Janeiro. 30/08/2014 REUTERS/Ricardo Moraes

BRASÍLIA (Reuters) - Na alça de mira dos principais adversários na corrida presidencial, a candidata do PSB, Marina Silva, não poderá cometer erros e vai precisar controlar o clima de “já ganhou” para confirmar o favoritismo apontado nas pesquisas.

A tarefa não será nada fácil considerando o poder de fogo da presidente Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, e de Aécio Neves (PSDB), além do fato de Marina ter se tornado candidata a presidente há pouco mais de três semanas.

A ex-senadora era candidata a vice e passou a encabeçar a chapa após a morte de Eduardo Campos em um acidente aéreo, no dia 13 de agosto. Todos os acordos estaduais, a estrutura e estratégia de campanha tinham sido construídos por ele.

Marina teve que refazer a estratégia, costurar mudanças na estrutura da campanha e ainda cumprir uma agenda pesada de entrevistas e debates.

Nessa maratona, a candidata já cometeu erros, como a polêmica com a mudança em posições divulgadas no programa de governo, e suportou pequenas crises, como a saída intempestiva do coordenador-geral da campanha de Campos, Carlos Siqueira, no dia em que Marina foi oficializada nova candidata do PSB.

Nenhum desses problemas, entretanto, teve efeito sobre o eleitorado que tem se identificado com sua defesa da “nova política”. Em pouco tempo, Marina deu um enorme salto nas pesquisas e passou a dividir a liderança das intenções de voto para o primeiro turno com Dilma e a derrotar a presidente em simulações de uma segunda rodada de votação.

Cientes de que os adversários não se conformarão com o atual cenário de favoritismo de Marina, seus aliados têm duas metas bem claras para essa reta final: não cometer mais erros e evitar que a empolgação com as pesquisas resulte no “já ganhou”.

“O ‘já ganhou’ é primo-irmão do ‘já perdeu’. Não podemos cair nessa”, disse à Reuters o candidato a vice-presidente na chapa, deputado Beto Albuquerque (RS).

Para um dos estrategistas de Marina, o maior risco à candidatura nessa reta final, mais do que a artilharia dos adversários, é interno. “Não podemos cometer mais erros”, resumiu. Marina ingressou no PSB em outubro do ano passado, após ver naufragar seu projeto de criar um novo partido, a Rede Sustentabilidade.

Além disso, há uma grande aposta entre os assessores mais próximos de Marina no programa de governo. Quanto mais debates e mais discussões ela conseguir pautar com base no seu programa, mais o eleitorado que deseja mudanças, cerca de 70 por cento segundo as pesquisas, se reunirá em torno da candidata.

“Esse sentimento de mudança é muito forte e as pessoas veem na Marina a representante dessa mudança”, disse Albuquerque.

ATAQUES E RISCO DE “VITIMIZAÇÃO”

Mas além de cuidar dos seus, a candidata terá que enfrentar uma dura batalha nessa reta final da campanha, com desqualificações políticas e pessoais que farão parte do arsenal dos seus adversários.

Marina decidiu não partir para o contra-ataque e continuará sua toada propositiva, mas responderá às críticas para que o eleitorado não acredite em tudo que petistas e tucanos disserem.

“Nós achamos que isso são firulas da campanha, esforços de desqualificação sem substância, sem conteúdo. Às vezes, manifestações de enorme preocupação (dos adversários) pelo crescimento dela (nas pesquisas)”, disse à Reuters o coordenador da campanha, Walter Feldman.

Há uma preocupação forte na campanha com o uso das redes sociais para espalhar boatos e acusações contra Marina. Nesse caso, segundo Albuquerque, será usado o programa de TV para alertar o eleitorado contra os ataques, pedindo que acesse os canais oficiais da campanha. Marina tem apenas 2 minutos e 3 segundos de tempo na TV, enquanto Dilma conta com 11 minutos e 24 segundos e Aécio, 4 minutos e 35 segundos.

Um dos estrategistas da campanha afirmou que não será montada uma estratégia oficial específica para enfrentar a campanha negativa na Internet.

Já está definido também que quando for para subir o tom contra um adversários os aliados entrarão em campo. Foi assim quando o programa de TV do PT comparou Marina aos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Jânio Quadros, que não concluíram seus mandatos e, de acordo com a campanha petista, representavam o “partido do eu sozinho”.

A própria Marina foi a primeira a responder a esses ataques, durante uma sabatina a um jornal em São Paulo, lembrando a inexperiência eleitoral de Dilma há quatro anos. [nL1N0R327H]

Mas as respostas duras e pesadas vieram de Albuquerque e o presidente do PPS, Roberto Freire, acusando o PT de “golpismo”. [nL1N0R401T]

Na campanha de Marina também há uma convicção de que os ataques dos adversários podem inclusive ajudá-la. PT e PSDB realmente têm preocupações nesse sentido, porque acreditam que vitimizá-la pode tornar seu eleitorado mais consolidado.

Albuquerque nega que a campanha aposte numa estratégia de vitimização da candidata para se beneficiar dos ataques.

“Não é vitimização. O que acontece é que as pessoas estão cansadas disso, desse jogo de desqualificações, de ataques”, afirmou o candidato a vice.

“Se a baixaria crescer, o presente para quem está atacando pode ser a fatura ser liquidada antes do segundo turno”, acrescentou Albuquerque.

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