Ex-diretor da Petrobras relata que parlamentares teriam recebido propina, diz mídia

sexta-feira, 5 de setembro de 2014 19:23 BRT
 

(Reuters) - O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa deu nomes de dezenas de parlamentares e um governador que teriam recebido pagamentos de comissão sobre contratos da estatal, segundo notícias publicadas em sites nesta sexta-feira.

O novo escândalo surge a um mês do primeiro turno das eleições, que tem na corrida pelo Palácio do Planalto a presidente Dilma Rousseff (PT) e a candidata do PSB, Marina Silva, como líderes, com Aécio Neves (PSDB) em terceiro lugar.

De acordo com o site do jornal O Estado de S. Paulo, pelo menos 32 parlamentares teriam sido citados por Costa, incluindo senadores e deputados. Já o site da Folha de S. Paulo fala em 49 deputados e 12 senadores. Apuração da Folha indica que os parlamentares seriam de PT, PMDB e PP.

Os dois relatos dizem que o ex-diretor mencionou um governador.

Segundo as reportagens, os políticos receberiam 3 por cento do valor dos contratos da Petrobras no período em que Costa era diretor da petroleira.

O site do Estadão diz que Costa está depondo em regime de delação premiada desde a sexta-feira da semana passada, com o objetivo de conseguir perdão judicial. Ele é alvo da operação Lava Jato da Polícia Federal, que chegou a prendê-lo.

Segundo a Folha, essa operação tinha como prioridade descobrir o esquema de desvio na Petrobras.

Ainda segundo o site do Estado de S.Paulo, Costa teria relatado a formação de um cartel de empreiteiras na Petrobras, e que partidos políticos seriam beneficiários de recursos desviados por meio de comissões.

A reportagem do site da Folha diz ainda que o depoimento do ex-diretor chegou no começo desta semana ao Supremo Tribunal Federal para que o ministro Teori Zavascki homologue o acordo da delação premiada.

A obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, no valor de 18,5 bilhões de dólares, era uma das que estavam a cargo da diretoria comandada por Costa.

Procurada pela Reuters, a Petrobras não respondeu imediatamente pedidos de comentários sobre o assunto.