September 5, 2014 / 10:59 PM / 3 years ago

Falcão sinaliza que PT voltará a usar ameaça da privatização contra adversários

4 Min, DE LEITURA

Presidente do PT, Rui Falcão, em entrevista à Reuters em Brasília. 29/7/2014Ueslei Marcelino

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta sexta-feira que o enfraquecimento dos bancos e empresas públicas pode ser um primeiro passo para a privatização dessas estatais, afirmando que o partido pretende discutir e alertar a população sobre esses riscos, numa indicação de que os petistas voltarão a usar o tema como estratégia contra os adversários.

"Retirar esses bancos do papel prioritário de financiamento do desenvolvimento nacional e dar maior prioridade aos bancos privados contrasta com o nosso programa", afirmou Falcão, insinuando que as propostas dos adversários do PT na corrida presidencial tenham esse objetivo.

"Enfraquecer a Caixa e o Banco do Brasil pode mais tarde abrir campo para a privatização dessas instituições", disse a jornalistas após reunião do Diretório Nacional do PT, em São Paulo.

"Isso é mais coerente com o programa dos bancos, que têm uma representante na formulação desse programa", afirmou, em referência velada a Neca Setubal, uma das herdeiras do Itaú Unibanco e coordenadora do programa de governo da candidata Marina Silva (PSB).

Em mais um embate ao projeto de governo de Marina e do candidato tucano, Falcão sugeriu que a retomada do regime de concessão de petróleo em vez do de partilha, adotado nos governos petistas, pode fortalecer as petroleiras estrangeiras e enfraquecer a Petrobras.

"Empresa que se debilita... o passo seguinte é vender", disse Falcão, que também é coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT).

A estratégia de combater a "ameaça" de privatização, como insinuou Falcão nesta sexta, já foi utilizada pelo partido em eleições anteriores, trazendo ao centro do debate empresas como a Petrobras.

Desta vez, no entanto, a estatal vinha sendo usada como arma pelos adversário ao governo, já que a empresa é alvo de duas CPIs no Congresso Nacional por denúncias de irregularidades na compra de uma refinaria em Pasadena (EUA).

Ao ser perguntado se na véspera Dilma afirmou que mudaria ministros devido à visão do mercado em relação a Guido Mantega (Fazenda), Falcão disse que a preocupação da campanha é atender ao conjunto da população.

"O mercado, esse mercado que você diz, é uma parte pequena da população", afirmou.

Dilma respondeu a jornalistas em Fortaleza, na quinta-feira, ao ser questionado sobre o ministro que "governo novo, equipe nova".

No debate dos presidenciáveis na Band, Aécio anunciou que o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga será seu ministro da Fazenda, caso seja eleito. O presidente do PT disse que Dilma fez essa declaração, porque foi perguntada e não porque o adversário adiantou o nome de um ministro caso seja eleito.

"Os outros estão fazendo, talvez por necessidade de terem algum tipo de fiança", disse.

O presidente nacional do partido afirmou ainda que a presidente Dilma Rousseff é na verdade a candidata da chamada "nova política".

"Para nós a nova política é a Dilma, pela defesa dela da reforma política, através de uma Constituinte, através de um plebiscito", declarou, numa tentativa de se apropiar de um dos principais motes da campanha de Marina, que é a chamada "nova política".

Reportagem de Pedro Belo

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