Falcão sinaliza que PT voltará a usar ameaça da privatização contra adversários

sexta-feira, 5 de setembro de 2014 19:55 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta sexta-feira que o enfraquecimento dos bancos e empresas públicas pode ser um primeiro passo para a privatização dessas estatais, afirmando que o partido pretende discutir e alertar a população sobre esses riscos, numa indicação de que os petistas voltarão a usar o tema como estratégia contra os adversários.

"Retirar esses bancos do papel prioritário de financiamento do desenvolvimento nacional e dar maior prioridade aos bancos privados contrasta com o nosso programa", afirmou Falcão, insinuando que as propostas dos adversários do PT na corrida presidencial tenham esse objetivo.

"Enfraquecer a Caixa e o Banco do Brasil pode mais tarde abrir campo para a privatização dessas instituições", disse a jornalistas após reunião do Diretório Nacional do PT, em São Paulo.

"Isso é mais coerente com o programa dos bancos, que têm uma representante na formulação desse programa", afirmou, em referência velada a Neca Setubal, uma das herdeiras do Itaú Unibanco e coordenadora do programa de governo da candidata Marina Silva (PSB).

Em mais um embate ao projeto de governo de Marina e do candidato tucano, Falcão sugeriu que a retomada do regime de concessão de petróleo em vez do de partilha, adotado nos governos petistas, pode fortalecer as petroleiras estrangeiras e enfraquecer a Petrobras.

"Empresa que se debilita... o passo seguinte é vender", disse Falcão, que também é coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT).

A estratégia de combater a "ameaça" de privatização, como insinuou Falcão nesta sexta, já foi utilizada pelo partido em eleições anteriores, trazendo ao centro do debate empresas como a Petrobras.

Desta vez, no entanto, a estatal vinha sendo usada como arma pelos adversário ao governo, já que a empresa é alvo de duas CPIs no Congresso Nacional por denúncias de irregularidades na compra de uma refinaria em Pasadena (EUA).

Ao ser perguntado se na véspera Dilma afirmou que mudaria ministros devido à visão do mercado em relação a Guido Mantega (Fazenda), Falcão disse que a preocupação da campanha é atender ao conjunto da população.   Continuação...

 
Presidente do PT, Rui Falcão, em entrevista à Reuters em Brasília. 29/7/2014 REUTERS/Ueslei Marcelino