Montadoras de veículos seguem céticas, mesmo com apoio do governo

segunda-feira, 8 de setembro de 2014 20:28 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Recentes medidas do governo federal para incentivar a indústria automotiva são insuficientes para reverter o desempenho do setor nos próximos meses, segundo presidentes de montadoras.

"Temos que atuar nos problemas estruturais para não ter que usar formulas de estimulo ao consumo momentâneo", disse o presidente da PSA Pegeout Citroen, Carlos Gomes, em evento no Rio de Janeiro.

Desde junho, o governo adiou a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de carros novos, flexibilizou regras de depósitos compulsórios de bancos e anunciou mudanças que darão maior garantia a credores em empréstimos, que podem ajudar o setor responsável por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Na semana passada, a Anfavea, associação das montadoras, anunciou que a produção de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus de janeiro a agosto caiu 18 por cento ante igual mês de 2013. As vendas diminuíram 9,7 por cento em igual base, refletindo a economia fraca a menor oferta de financiamentos.

"Claro que a política de IPI não é suficiente. É para um momento de mercado. Temos que pensar em questões fundamentais e estruturais", afirmou o presidente da Nissan, François Dossa.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, disse que as medidas de ampliação do crédito para o financiamento de veículos ainda não apareceram, mas espera uma reação do mercado até outubro.

Segundo Moan, a perspectiva é que o estoque do setor encerre o ano perto de 30 dias, contra os atuais 42 dias. "O choque de liquidez só começou a ser operacionalizado na última semana de agosto. Em setembro e outubro veremos acontecer".

A elevada carga tributária e complexidade do sistema de impostos no país foram apontados a como temas centrais que precisam ser combatidos para alavancar o setor e tornar o país mais competitivo internacionalmente.

"Temos muito vilões que nos impedem de vender mais no Brasil. O primeiro é a carga tributária", disse Gomes.   Continuação...