September 9, 2014 / 8:39 PM / 3 years ago

Dólar sobe 1% ante real pelo segundo dia, com foco no Fed e eleições

4 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de cerca de 1 por cento ante o real nesta terça-feira pelo segundo dia consecutivo, diante de temores renovados de que os juros nos Estados Unidos possam subir antes do esperado, enquanto investidores aguardam as próximas pesquisas eleitorais no Brasil.

A moeda norte-americana subiu 0,91 por cento, a 2,2862 reais na venda, maior cotação de fechamento em duas semanas, depois de avançar 1,16 por cento na véspera. Na máxima da sessão, o dólar chegou a ser cotado a 2,2935 reais.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,1 bilhão de dólares.

"Tudo que tivemos no fluxo de notícias, seja aqui ou lá fora, contribuiu para levantar o dólar", resumiu o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

O Federal Reserve de San Francisco publicou na véspera estudo mostrando que investidores precificam juros baixos por mais tempo e aperto monetário mais lento do que esperam os próprios integrantes do banco central norte-americano.

Economistas das principais instituições de Wall Street, por exemplo, projetam a primeira alta de juros no terceiro trimestre de 2015, com as taxas fechando 2015 a 0,75 por cento e 2016 a 2,13 por cento, segundo o estudo. Já as autoridades do Fed veem os juros a 1 por cento no final do ano que vem, chegando a 2,5 por cento no fim de 2016.

O documentou impulsionou a moeda dos EUA em escala global, uma vez que juros norte-americanos mais altos poderiam atrair recursos atualmente aplicados em outros mercados. No exterior, pesavam ainda preocupações com a possibilidade de a Escócia votar a favor da independência do Reino Unido.

"Nos mercados de câmbio, hoje o foco está na política monetária global e no Reino Unido", escreveram analistas do Scotiabank em relatório.

Aqui, investidores aguardam as próximas pesquisas de intenção de voto nas eleições presidenciais de outubro, que serão divulgadas a partir desta terça-feira.

O mercado tem se mostrado apreensivo com a possibilidade de continuar diminuindo a vantagem da ex-senadora Marina Silva (PSB) em relação à presidente Dilma Rousseff (PT), criticada por investidores, num eventual segundo turno.

"O mercado quer entender se o estreitamento das intenções de voto de Marina e Dilma vai se confirmar como tendência", explicou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Nesta manhã, pesquisa da CNT/MDA mostrou Dilma em empate técnico com Marina num eventual segundo turno, reforçando o quadro de incerteza eleitoral.

A pesquisa ajudou a manter o dólar em alta ante o real durante toda a sessão. Na reta final do pregão, a moeda norte-americana ampliou os ganhos e foi às máximas da sessão, à medida que investidores montavam posições para se antecipar à pesquisa do Datafolha, que tem divulgação prevista para a partir desta terça-feira.

O foco no cenário eleitoral fez com que investidores minimizassem a notícia de que a Moody's rebaixou para "negativa" a perspectiva da classificação de risco do Brasil, ante "estável". Após a divulgação da decisão, o dólar chegou a acelerar o passo, mas o movimento perdeu força rapidamente.

"O impacto da notícia é sempre ruim num primeiro momento, mas o mercado está muito mais sensível às pesquisas eleitorais", afirmou o chefe da mesa de juros da corretora Icap, Arlindo Sá, lembrando que as próximas decisões da agência dependerão em grande parte das ações tomadas pelo próximo governo.

Pela manhã, o Banco Central vendeu a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que correspondem a venda futura de dólares, como parte das intervenções diárias. Foram vendidos 1 mil contratos para 1º de junho e 3 mil para 1º de setembro de 2015, com volume equivalente a 197,6 milhões de dólares.

O BC também vendeu a oferta total de até 6 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 1º de outubro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 9 por cento do lote total, equivalente a 6,677 bilhões de dólares.

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