12 de Setembro de 2014 / às 00:06 / 3 anos atrás

Dilma diz que Marina age com leviandade sobre PT e se vitimiza para não debater

Presidente Dilma Rousseff gesticula durante entrevista no dia 10 de setembro. REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - Na sua reação mais forte da campanha eleitoral até agora, a presidente Dilma Rousseff (PT) disse nesta quinta-feira que a candidata do PSB, Marina Silva, age com leviandade ao atacar o PT e evita os debates se vitimizando quando sofre críticas.

Dilma foi questionada sobre uma declaração de Marina, durante sabatina do jornal O Globo nesta quarta, afirmando que a maior ameaça à exploração de petróleo na camada pré-sal é a “corrupção”, que seria permitida pelo PT. E na sequência passou a responder à candidata do PSB.

“Eu repudio com muita indignação essa declaração da candidata Marina”, disse a presidente a jornalistas no Palácio da Alvorada nesta quarta. “Ora, a candidata Marina ficou 27 anos no PT. Todos os seus mandatos ela obteve graças ao PT.”

“A militância do PT e a história do PT foram fundamentais para a candidata chegar onde chegou”, argumentou Dilma. “Uma frase dessas mostra uma posição extremamente leviana e inconsequente.”

Desde que as pesquisas mostraram uma disputa acirrada entre as duas no primeiro turno e uma vantagem de Marina sobre Dilma na segunda rodada, as candidatas ampliaram as críticas e passaram a duelar em suas entrevistas.

Dilma tem aproveitado pontos do programa de governo do PSB, única das principais candidaturas que divulgou um plano detalhado de como pretende governar, para apontar contradições de Marina e interpretar propostas para tentar tirar votos da adversária.

As principais críticas do PT ao programa de Marina até agora são de que ela não dará prioridade à exploração do petróleo da camada pré-sal e que a proposta de dar autonomia legal ao Banco Central dará mais poder ao sistema financeiro.

Marina tem dito que é alvo de “mentiras e boatos” e que os ataques de seus adversários são fruto do “medo e desespero”. Para Dilma, entretanto, Marina age como vítima para evitar o debate sobre esses temas.

“A candidata Marina quer falar o que pensa e não quer escutar o que os outros pensam... todas as coisas que nós dissemos que a candidata falou ou fez estão escritas no seu programa”, argumentou a petista.

“Espero que a candidata Marina não mude agora sua posição quanto a independência do Banco Central. Se mudou quanto ao pré-sal, eu acho que não muito convincentemente, espero que ela não mude em relação à independência do Banco Central”, desafiou.

“Porque toda vez que a gente abre o debate com a candidata Marina ela se dá como vítima e diz que nós estamos atacando”, disse Dilma.

Dilma também foi questionada sobre as críticas dos petistas e da campanha dando conta de Marina está ao lado dos banqueiros por ter entre seus assessores uma herdeira do banco Itaú, a educadora Neca Setúbal, que é uma das coordenadoras do programa de governo do PSB.

“A Neca educadora é a Neca educadora. Na medida que eu sou herdeira do banco Itaú, que defendo uma política que beneficia claramente os bancos, que é a política de independência do Banco Central..., eu estou fazendo papel de banqueira”, argumentou. “Não dá para vestir as duas roupas. Ou é uma, ou é a outra.”

Reportagem de Jeferson Ribeiro

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