ANÁLISE-Queda do preço do petróleo desafia Petrobras em momento de alta na produção

sexta-feira, 12 de setembro de 2014 19:05 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O cenário de preços baixos do petróleo em um momento em que a Petrobras começa a entregar o aumento de produção tão prometido é um desafio adicional para a petroleira, que tem no fluxo de caixa a principal fonte de recursos para fazer frente aos seus investimentos bilionários, segundo especialistas.

O preço do petróleo de referência global, o Brent, fechou em queda de 1 por cento nesta sexta-feira, a 97,11 dólares por barril, perto da mínima de dois anos de 96,72 dólares registrada na véspera, pressionado pelo excesso de oferta internacional da commodity e por uma demanda global menor que a projetada.

Um preço mais baixo que o esperado poderia resultar em uma receita menor do que a projetada nas exportações da Petrobras, embora um dólar mais forte possa atenuar essa situação. O valor atual do Brent está quase 10 dólares abaixo do que a Petrobras considera como premissa para a financiabilidade de seu plano de investimento em 2014 (105 dólares o barril).

"A Petrobras está investindo muito. A principal fonte de financiamento para os investimentos é o fluxo de caixa da empresa... Se o preço cai, reduz a receita de exportações da empresa", disse Edmar Almeida, professor e pesquisador do Grupo de Economia de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Num momento em que nem conflitos geopolíticos em importantes países produtores de petróleo têm sido capazes de elevar os preços da commodity, a estatal apresenta números de produção não vistos há anos.

Em junho, a empresa ultrapassou a marca de 2 milhões de barris de óleo/dia, o que não acontecia no país desde 2012, e em julho produziu 2,05 milhões de barris/dia. Agora está produzindo no Brasil volumes de petróleo próximos de um recorde registrado em dezembro de 2010, de 2,121 milhões de barris/dia.

No início do mês, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse que dados não consolidados de agosto mostravam produção "beirando" os 2,1 milhões de barris/dia.

Graça Foster, como prefere ser chamada, também confirmou a meta de crescimento da extração para o ano de 7,5 por cento frente a 2013, podendo variar um ponto percentual para cima ou para baixo.   Continuação...