Debate da CNBB esquenta no fim com duelo indireto entre Dilma e Aécio sobre corrupção

quarta-feira, 17 de setembro de 2014 00:58 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Um duelo indireto entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) sobre denúncias de corrupção esquentou um até então insosso debate entre presidenciáveis promovido pela CNBB na terça-feira, que teve um direito de resposta para cada um deles, algo inédito nos debates realizados até aqui nesta campanha.

A candidata do PSB, Marina Silva, ficou mais distante da disputa entre os dois rivais, mas aproveitou suas considerações finais para voltar a criticar a polarização PT-PSDB.

Aécio aproveitou uma pergunta do pastor Everaldo (PSC) para atacar a presidente sobre as recentes denúncias de corrupção na Petrobras, o que gerou um pedido de direito de resposta da petista, atendido pela produção do debate.

Já o tucano, ao fazer uma pergunta sobre educação para Luciana Genro (PSOL), acabou ouvindo da adversária afirmações duras lembrando denúncias de irregularidades de governos do PSDB. Ele também teve um pedido de direito de resposta aceito.

"Os brasileiros estão envergonhados, indignados com o que vem acontecendo com a nossa mais importante empresa pública, submetida a sanha de um grupo político que para se manter no poder permitiu que um vale-tudo fosse feito na nossa maior empresa", disse Aécio ao responder Everaldo que, usando um termo cunhado pelo tucano, se referiu às denúncias como "mensalão 2".

"Não é possível que o Brasil continue a ser administrado com tanto descompromisso com a ética, com a decência, com os valores cristãos", disparou Aécio, aproveitando o contexto do debate ser realizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Na sequência, o tucano questionou a candidata do PSOL sobre educação, mas ela preferiu centrar artilharia nos escândalos de corrupção tucanos, como o mensalão mineiro --que segundo ela é a origem do mensalão petista--, denúncias de corrupção nas privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso e de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição no mesmo governo.

"O senhor falando do PT é o sujo falando do mal lavado", disparou Luciana.

Irônico, Aécio fez questão de lembrar as origens petistas da candidata do PSOL e a acusou de atuar como "linha auxiliar do PT", o que só aumentou a artilharia da adversária.   Continuação...