26 de Outubro de 2014 / às 15:53 / 3 anos atrás

Dilma e Aécio votam e aguardam resultado da eleição mais acirrada em 25 anos

Montagem de fotos dos candidatos à Presidência Dilma Rousseff e Aécio Neves acenando após votarem em Porto Alegre e Belo Horizonte, respectivamente.Paulo Whitaker e Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) e o candidato de oposição Aécio Neves (PSDB) votaram na manhã deste domingo no segundo turno da eleição presidencial e aguardam o veredicto das urnas ainda nesta noite, na eleição mais imprevisível do país dos últimos 25 anos.

Dilma e Aécio travaram uma disputa marcada por ataques de ambas as partes e na qual os dois candidatos chegaram ao dia decisivo com chances de vitória, depois que as últimas pesquisas de intenção de voto não apontaram um favorito claro, apesar da vantagem numérica de Dilma nos levantamentos.

Na véspera da eleição, o Datafolha mostrou os dois candidatos em empate técnico, com o placar favorável a Dilma com 52 a 48 por cento. Pelo Ibope, a vantagem da petista que era de 8 pontos percentuais recuou para 6 pontos, a 53 a 47 por cento.

Dilma foi a primeira a votar neste domingo, pouco após a abertura das urnas às 8h da manhã (horário de Brasília), em Porto Alegre. A candidata petista reconheceu que houve "momentos lamentáveis" durante a campanha, e pediu à população para ir às urnas.

"Agora é a hora da votação, e faço mais uma vez o mesmo apelo que fiz ontem, para que as pessoas compareçam para votar, para que exerçam o direito de voto", disse Dilma, que votou acompanhada do candidato a reeleição ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), e que tomou chimarrão oferecido por um dos mesários.

A presidente, que vai acompanhar a apuração em Brasília, torce para que o histórico de mais abstenções nas regiões onde seu partido é mais bem votado não seja um fator determinante no resultado.

O tucano Aécio votou por volta das 10h30 em Belo Horizonte, acompanhada da mulher e em meio a um grande tumulto causado por sua chegada à seção eleitoral.

O ex-governador de Minas Gerais disse que a primeira tarefa, caso eleito, será "unificar o país" após a disputa eleitoral, e acrescentou estar "tranquilo e confiante", apesar de estar numericamente atrás de Dilma nas pesquisas. Aécio vai aguardar o resultado do pleito em Minas Gerais.

Desde 1989, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou Fernando Collor de Mello (PRN) no segundo turno, na primeira eleição direta para presidente depois da ditadura militar, os brasileiros não iam às urnas com tantas incertezas sobre quem vencerá o pleito.

O sentimento é reforçado pela diferença vista no primeiro turno entre o que mostraram as pesquisas de intenção de voto e o resultado das urnas.

Na véspera do primeiro turno, o Datafolha mostrava Dilma com 44 por cento dos votos válidos, Aécio com 26 por cento e Marina Silva (PSB) com 24 por cento. Pelo Ibope, os números eram 46, 27 e 24 por cento, respectivamente.

Nas urnas, Dilma teve 41,6 por cento dos votos válidos, Aécio chegou a 33,6 por cento e Marina ficou com 21,3 por cento.

ELEITORES DIVIDIDOS

Após 12 anos seguidos de governo do PT, eleitores se dividiram entre a vontade de mudança e a defesa do atual modelo econômico.

"Estou otimista. O país está caminhando para frente em tudo, não tem como regredir com Dilma", disse a professora universitária Maria Auxiliadora da Silva, de 48 anos, em Manaus. "O PT tirou o Brasil do Mapa da Fome, isso é um orgulho."

Em São Paulo, o médico baiano Tiago Nunes, de 32 anos, votou em Aécio. "Estamos cansados de 12 anos de governo do PT. Precisamos de uma mudança no Brasil. Precisamos basicamente de mais educação e saúde básica", afirmou.

Em diferentes pontos do país eleitores de Aécio foram votar vestidos de azul, verde e amarelo, alguns inclusive usando camisas da seleção brasileira, em referência às cores do PSDB, enquanto apoiadores de Dilma usaram o tradicional vermelho, a cor do PT, no dia da votação.

Em uma escola do Lago Sul de Brasília, zona sul da capital federal, a dona de casa Gildicina da Rocha, de 27 anos, disse que escolheu Aécio para presidente por ser ele o candidato que representa mudança.

“Votei em Aécio porque tem que mudar, tem que melhorar... Estou insatisfeita, tem a questão do roubo de recursos públicos. A Dilma não fez o suficiente e ainda estragou o que foi feito antes”, disse ela, que registrou seu voto em um local em que várias pessoas foram às urnas vestidas de verde e amarelo.

Em São Bernardo do Campo (SP), berço do PT mas onde Dilma perdeu para Aécio no primeiro turno, o auxiliar de pedreiro Joaquim de Oliveira, de 47 anos, ressaltou a importância dos programas sociais do atual governo para os mais carentes.

"Votei na Dilma porque ela ajuda os pobres. Tenho quatro filhos, meus filhos estão na escola. Por mais que falem, isso é bastante importante para mim e quero que continue ajudando as pessoas com essas oportunidades. Se o PT sair, aí danou-se tudo", disse Oliveira, que contou ser beneficiário do programa Bolsa Família.

O ex-presidente Lula também votou em São Bernardo, e disse ter esperança para o resultado da eleição por considerar que Dilma "tem grande parte da sociedade ao lado dela" e que o país melhorou em seu governo.

Antecessor de Lula, o tucano Fernando Henrique Cardoso registrou seu voto em SP e acusou Lula de estar "vendendo ódio" na atual campanha.

"Estão tentando dividir o país por classe, cor. Essa tentativa não é aceitável. Eles tinham um slogan que dizia 'paz e amor'. Agora, o dono desse slogan está vendendo ódio", disse.

Além da disputa pela Presidência, a votação desde domingo decidirá os governadores de 13 Estados e do Distrito Federal.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o início da votação repetiu o clima de tranquilidade observado na votação de 5 de outubro, com poucas ocorrências de crime eleitoral.

No primeiro turno, no entanto, a votação foi marcada por atrasos decorrentes do maior uso do sistema de identificação biométrica pelo país, o que levou o tribunal a intensificar a preparação dos mesários para diminuir a demora desta vez. O TSE ainda não tinha informações sobre problemas com urnas biométricas neste domingo.

Espera-se que pouco depois das 20h no horário de Brasília, quando fecham as últimas urnas no Acre, o TSE já tenha condições de anunciar quem governará o Brasil nos próximos quatro anos.

Reportagem de Camila Moreira, Anna Flávia Rochas e Alexandre Caverni, em São Paulo; Bruno Marfinati, em São Bernardo do Campo; Maria Carolina Marcello e Nestor Rabello, em Brasília; Eduardo Simões, em Belo Horizonte; e Liege Albuquerque, em Manaus

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