27 de Outubro de 2014 / às 03:08 / 3 anos atrás

Aécio e tucanos falam em unir país, aliados veem governo em contagem regressiva

Candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, derrotado na eleição.26/10/2014Sergio Moraes

BELO HORIZONTE (Reuters) - Após a derrota na eleição presidencial mais apertada desde a redemocratização, Aécio Neves disse neste domingo que a principal tarefa da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT) é unir o Brasil, um apelo também feito por correligionários e aliados do tucano.

Aécio agradeceu os mais de 50 milhões de votos que recebeu e disse que continua mais "vivo" e "sonhador" do que nunca, numa sinalização que mira na eleição de 2018 depois de um pleito em que aliados reconhecem o senador tucano como principal líder da oposição.

Menos conciliador no discurso do que Aécio, o senador José Agripino (DEM-RN), coordenador da campanha derrotada, afirmou que o novo governo Dilma começa "em contagem regressiva". Embora tenha dito ser cedo para falar da eleição de 2018, avaliou que Aécio foi "um gigante" e emerge do pleito como principal líder da oposição.

Em pronunciamento após a confirmação da derrota nas urnas, a quarta seguida do PSDB para o PT em disputas presidenciais. Após saber do resultado, Aécio disse que telefonou para Dilma para cumprimentá-la e desejou sucesso na condução do seu próximo governo.

"E ressaltei: considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado e que dignifique a todos os brasileiros", disse Aécio, no discurso em um hotel na região central de Belo Horizonte. Ele agradeceu a todos os brasileiros, em particular aos mais de 50 milhões que votaram lhe deram o voto no segundo turno.

A presidente Dilma foi reeleita neste domingo com 51,64 por cento dos votos válidos, ou 54,5 milhões, enquanto Aécio teve 48,36 por cento, ou 51 milhões de votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, eu deixo essa campanha ao final com o sentimento de que cumprimos o nosso papel", afirmou o candidato do PSDB.

"Repito, para encerrar, mais uma vez o que disse São Paulo, que é o que retrata para mim de forma mais clara o sentimento que tenho hoje na minha alma e no meu coração. Combati o bom combate, cumpri minha missão e guardei a fé", finalizou.

"BRASIL QUE PRODUZ"

Senador eleito por São Paulo na eleição deste ano, o tucano José Serra, presidenciável derrotado pelo PSDB em 2002 e 2010, avaliou que o PSDB e a oposição saem fortalecidos da disputa, mas disse também que o trabalho a partir de segunda-feira será o de unir o Brasil.

"O PSDB teve 50 milhões de eleitores que o apoiaram. Em 2010 nós tivemos 44 (milhões), agora tivemos 50 (milhões), isso mostra a força do nosso partido e inclusive a capacidade de fazer a pauta das coisas que são fundamentais para o país. Uma oposição pode fazer uma grande contribuição ao Brasil se souber criticar o que está errado e souber propor", disse.

"Nós vamos trabalhar no sentido de ter um país unificado. Não vamos permitir que esse divisionismo ganhe força", prometeu.

Agripino fez coro ao defender a busca pela união nacional após a eleição apertada deste domingo, mas fez uma análise do resultado eleitoral segundo o qual, nas palavras dele, "o Brasil que produz" votou em Aécio.

"O Brasil tem uma locomotiva, e essa locomotiva chama-se São Paulo. São Paulo não deu só uma vitória a Aécio. Deu uma vitória esmagadora a Aécio. O Sul idem, o Sudeste teve uma situação equilibrada. O Brasil produtivo do Centro-Oeste idem. Isso tudo tem que ser levado em conta", disse.

"A principal tarefa da classe política do Brasil será a de unir o Brasil, nunca de desunião. Agora, constatando uma realidade: no coração do Brasil, no Brasil que produz, no Brasil mais moderno, a vitória de Aécio, a vitória da oposição, foi acachapante sobre a presidente da República", avaliou.

Na avaliação do coordenador da campanha de Aécio, o tucano teria saído vitorioso caso a disputa se estendesse por mais algumas semanas e a nova gestão de Dilma começa "em contagem regressiva".

"Se a campanha demorasse uma semana a mais, com os fatos que estão postos para reflexão. Aécio seria hoje presidente da República. É claro que todas as campanhas têm acertos e têm equívocos. Agora, Aécio foi um gigante", disse.

"A oposição cresceu e cresceu muitíssimo e determinou ao governo do PT que vai continuar o início de uma contagem regressiva a caminho do seu final."

Agripino disse esperar que o PSB, que lançou Eduardo Campos à Presidência e, após a morte dele em um acidente aéreo em agosto, teve Marina Silva como candidata derrotada no primeiro turno, esteja na oposição a Dilma.

O partido apoiou Aécio no segundo turno da disputa e a família e o grupo político de Campos fizeram campanha enfaticamente em favor do tucano.

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, que é do PSB e um aliado de Aécio, afirmou que a decisão de ingressar na oposição caberá à Executiva do partido, da qual ele faz parte. Ele disse, no entanto, esperar que a sigla faça uma "oposição responsável" à petista.

Na agenda legislativa, tanto Agripino quanto Serra lembraram a situação econômica frágil que Dilma deverá ter pela frente em um segundo mandato e o senador do DEM lembrou as denúncias de corrupção na Petrobras.

"A oposição vai manter-se altiva, determinada e enérgica. Ela tem a obrigação em função de um quadro econômico extremamente complicado... de uma base política esgarçada... e no plano da ética há um mega escândalo a ser esclarecido."

MINAS FUNDAMENTAL

Na avaliação de aliados, a nova derrota sofrida por Aécio em Minas, Estado que representa no Senado, que governou por dois mandatos e no qual já havia perdido para a presidente no primeiro turno, foi fundamental para a perda em âmbito nacional.

O presidente do diretório mineiro do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, no entanto, disse que agora é hora de "lamber as feridas" e que o motivo da derrota será analisado posteriormente.

"Concretamente, Minas Gerais ocasionou a derrota", reconheceu. "No momento certo vamos fazer a avaliação de por que os mineiros não quiseram ter um presidente da República", disse.

Do lado de fora do hotel em que Aécio fez seu pronunciamento, simpatizantes petistas passavam buzinando de carro, gritando o nome de Dilma e algumas ofensas aos tucanos.

Um grupo de três petistas com bandeiras da presidente chegaram a tentar passar em frente ao hotel, onde um grupo de militantes tucanos se aglomerava, mas foram convencidos por policiais militares a não seguir adiante.

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