No Salão do Automóvel em São Paulo, setor se pergunta se é possível piorar

quarta-feira, 29 de outubro de 2014 13:18 BRST
 

Por Brad Haynes e Alberto Alerigi

SÃO PAULO (Reuters) - As montadoras no Brasil estão enfrentando a mais forte desaceleração desde 1999, e pode demorar um ano ou mais antes que a situação mude de figura.

É difícil encontrar uma projeção otimista para 2015 no Salão do Automóvel de São Paulo nesta semana, onde companhias acostumadas a um mercado com crescimento de dois dígitos estão agora se vendo diante de três anos seguidos de vendas em queda.

"Parece que o mercado passará por um período difícil até 2016", disse o presidente da Toyota para o Brasil, Koji Kondo, citando custos trabalhistas, impostos crescentes e gargalos de infraestrutura como problemas persistentes. "É difícil que as condições econômicas do Brasil se recuperem no curto prazo".

As vendas de carros e caminhões leves caíram 9 por cento no acumulado deste ano até setembro ante os primeiros nove meses de 2013, conforme a demanda diminui devido ao crédito mais escasso e à confiança fraca de consumidores. Unidades locais de montadoras globais passaram de galinhas dos ovos de ouro para sérias dores de cabeça, com novas fábricas criando um acúmulo nos estoques.

A fraqueza no Brasil combinada à economia argentina errática pode deixar até 50 por cento da capacidade da indústria na América do Sul ociosa no ano que vem, segundo o vice-presidente de assuntos institucionais da Ford para a América do Sul, Rogelio Golfarb.

A indústria automotiva, que responde por cerca de um quarto da produção industrial, se tornou emblemática para os desafios diante da presidente Dilma Rousseff em seu novo mandato.

O mercado automotivo do país ainda crescia quando Rousseff assumiu o posto em 2011, dobrando em uma década para se tornar o quarto maior mercado do mundo. No entanto, custos crescentes e importados mais competitivos representam problemas para as montadoras e outras fabricantes locais.

A reação do governo Dilma foi uma série de desonerações fiscais direcionadas, barreiras à importação e subsídios ao crédito para montadoras e outras indústrias favorecidas. As medidas impulsionaram as vendas temporariamente mas pouco ajudaram a competitividade do Brasil. Agora está sendo difícil tirar das companhias o que deveriam ser medidas emergenciais.   Continuação...