COLUNA-Emprego forte ajuda BC a elevar juro mesmo com economia fraca

sexta-feira, 31 de outubro de 2014 12:21 BRST
 

Por Patrícia Duarte

(A autora é editora de Macroeconomia do Serviço Brasileiro da Reuters. As opiniões expressas são da autora do texto)

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - Entre a cruz e a espada. Esse deve ter sido o ânimo na reunião do Banco Central de quarta-feira e que resultou na maior surpresa dos últimos anos em uma decisão sobre a taxa básica de juro, com os oito membros do Comitê de Política Monetária (Copom) encurralados por um cenário de preços em alta e atividade econômica anêmica.

O mandato oficial do BC é zelar pelo controle da inflação. Mas também não se pode fechar os olhos completamente para os efeitos finais que cada passo da política monetária tem em empresários e consumidores.

Para os cinco membros do Copom, entre eles o presidente do BC, Alexandre Tombini, que optaram por elevar a Selic em 0,25 ponto percentual, uma das variáveis levada em consideração foi o mercado de trabalho ainda bastante robusto no país.

A visão deles --ou aposta, podem dizer alguns-- é de que o forte nível de emprego ajudaria a amortecer os efeitos perversos que uma alta na Selic tem na economia real, já fragilizada. Ninguém esquece que o Brasil entrou em recessão técnica no primeiro semestre, situação que não acontecia desde a crise financeira global de 2008/2009.

Menos exuberante, é verdade, mas os indicadores de trabalho ainda têm seu brilho e foram bastante usados pela presidente Dilma Rousseff (PT) em sua campanha para a reeleição, garantida no domingo passado.   Continuação...