Cidade iraquiana tomada pelo Estado Islâmico é forçada a mudar costumes

segunda-feira, 3 de novembro de 2014 19:10 BRST
 

Por Ahmed Rasheed e Michael Georgy

BAGDÁ (Reuters) - Depois que capturou Falluja em janeiro, o Estado Islâmico convenceu um homem que fazia capas automotivas a vender coletes para homens-bomba, uma das muitas mudanças na cidade iraquiana que se adapta à vida sob o cerco dos militantes sunitas radicais.

O Estado Islâmico ganhou fama por decapitar e executar qualquer um que se colocasse em seu caminho quando tomou cidades pequenas e grandes no Iraque e na Síria e formou seu autoproclamado califado, muitas vezes usando suicidas para promover avanços.

Os militantes emitiram diretrizes para a vida de acordo com sua ideologia, exigindo que todas as mulheres usem véus no rosto e proibindo cigarros e cortes de cabelo de estilo ocidental, populares em Falluja até então.

Muitos moradores se sentem alienados com as alterações, mas para poder manter seu “império” e sua guerra santa contra governos e Exércitos, o Estado Islâmico também faz acordos com pessoas como o alfaiate, de acordo com visitantes recentes de Falluja que conversaram com a Reuters de Bagdá por telefone.

O Estado Islâmico forneceu um gerador e combustível de graça ao profissional liberal, o que lhe permitiu aumentar o lucro com a fabricação em escala de coletes, cintos e calças em um edifício crivado de balas disparadas por militares dos Estados Unidos contra a Al Qaeda quase uma década atrás.

“Passei por tempos difíceis. Tenho filhos para sustentar. Escolhi esta nova profissão conscientemente e assumo a responsabilidade pelo desfecho”, disse o alfaiate.

Como outras pessoas citadas nesta reportagem, o seu nome não foi divulgado por razões de segurança.

Falluja foi a primeira cidade no Iraque a cair diante do Estado Islâmico, uma dissidência da Al Qaeda composta de árabes e combatentes estrangeiros que ameaça tomar a vizinha capital, Bagdá.   Continuação...

 
Atiradores sunitas mascarados posam para foto durante patrulha dirária em Falluja, oeste de Bagdá, no Iraque, em fevereiro. 26/02/2014 REUTERS/Stringer