Russos fazem passeata em Moscou para mostrar união e desafiam Ocidente

terça-feira, 4 de novembro de 2014 16:17 BRST
 

Por Timothy Heritage e Katya Golubkova

MOSCOU (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas de Moscou portando bandeiras e cartazes exaltando a Rússia como grande potência nesta terça-feira, em um desfile anual que neste ano equivaleu a um desafio ao Ocidente em relação à Ucrânia.

O presidente russo, Vladimir Putin, não participou da passeata do “Dia da Unidade”, porém mais tarde fez um discurso colocando a Rússia como moralmente superior no impasse com o Ocidente e dizendo que o país se uniu perante “desafios difíceis”.

Alguns políticos foram muito mais longe em sua demonstração de fervor patriótico em um concerto depois da passeata, que a polícia afirmou ter atraído mais de 70 mil pessoas, algumas dançando e cantando e muitas empunhando a bandeira tricolor russa.

Outras seguravam cartazes com dizeres como “Um povo unido é um povo que não pode ser derrotado” e “Nossa união é nossa força”. Algumas pessoas levavam cartazes de apoio aos separatistas pró-Rússia que combatem forças do governo ucraniano no leste da nação vizinha.

No show a céu aberto perto da Praça Vermelha, o líder comunista Gennady Zyuganov conclamou a Rússia a reconhecer as eleições realizadas no domingo para legitimar as autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia.

Em um discurso tipicamente incendiário, o líder populista Vladimir Zhirinovsky saudou Putin por tomar a península da Crimeia da Ucrânia em março e desdenhou o Ocidente pelas sanções que impôs a Moscou em reação às ações russas em solo ucraniano.

“Os Estados Unidos podem comemorar o Dia da Independência, mas devem lembrar que a marinha russa ajudou em sua luta contra os colonialistas britânicos. Os europeus podem falar em democracia e direitos humanos, mas o exército soviético libertou a Europa do fascismo, que volta a se manifestar no oeste da Ucrânia e em outras áreas”, afirmou.

O “Dia da Unidade” comemora um levante popular contra uma invasão polonesa em 1612 e foi ressuscitado por Putin em 2005.   Continuação...

 
Nacionalistas russos gritam slogans durante passeata em Moscou nesta terça-feira.  REUTERS/Maxim Shemetov