Enfermeira espanhola que sobreviveu ao Ebola oferece sangue para tratar pacientes

quarta-feira, 5 de novembro de 2014 18:15 BRST
 

MADRI (Reuters) - A enfermeira espanhola que contraiu Ebola em Madri, um caso que despertou alarme e recriminações políticas, disse nesta quarta-feira que espera que sua infecção seja útil e se ofereceu para doar sangue para tratar vítimas em potencial quando deixou o hospital.

Teresa Romero, de 44 anos, superou o vírus mortal depois de se tornar a primeira pessoa de que se tem notícia a ser infectada fora da África Ocidental no atual surto, que já matou quase 5 mil pessoas.

O contágio, ocorrido depois que Teresa cuidou de dois padres infectados repatriados da África e que mais tarde morreram na capital espanhola, causou repúdio ao governo do país, e agentes de saúde afirmaram ter recebido treinamento e equipamento inadequados para lidar com o Ebola.

“Não sei o que deu errado, nem sei se algo deu errado”, declarou Teresa, emocionada, em uma coletiva de imprensa, referindo-se à fonte da infecção, que ainda está sendo investigada.

“Só sei que não estou sendo crítica nem ressentida, mas se minha infecção puder ter alguma utilidade para que a doença seja estudada melhor ou para ajudar a encontrar uma vacina ou curar outras pessoas, aqui estou”, afirmou Teresa, acompanhada por funcionários do hospital Carlos 3o, onde foi tratada, e por seu marido.

Teresa recebeu anticorpos de uma freira missionária que contraiu Ebola na Libéria e que também sobreviveu, assim como uma droga experimental chamada favipiravir, informaram os médicos, acrescentando não estar claro exatamente que parte do tratamento foi determinante para sua recuperação.

O favipiravir, ou Avigan, é produzido pela farmacêutica japonesa Toyama Chemical, subsidiária da Fujifilm.

Todas as pessoas que tiveram contato próximo com Teresa antes de ela ser diagnosticada, e que estavam sendo monitoradas no hospital em busca de sinais da doença, agora foram declaradas livres do Ebola, incluindo seu companheiro.

O cachorro do casal, Excalibur, foi sacrificado no mês passado por autoridades de Madri por medo de que ele representasse um risco de infecção e causasse revolta na população.   Continuação...

 
Enfermeira espanhola Teresa Romero deixa hospital em Madri nesta quarta-feira.  REUTERS/Andrea Comas