Ameaças sexuais e outros métodos da CIA são detalhados em relatório do Senado dos EUA

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 15:18 BRST
 

Por Mark Hosenball

WASHINGTON (Reuters) - A CIA recorreu a ameaças sexuais, simulação de afogamento e outros métodos brutais para interrogar suspeitos de terrorismo, e todos foram ineficazes para se obter informações essenciais, de acordo com um relatório do Senado norte-americano divulgado nesta terça-feira.

O documento a respeito dos interrogatórios aprovados pelo governo para serem realizados em diferentes lugares do mundo para questionar militantes da Al Qaeda e outros levou os EUA a alertarem suas instalações no exterior a reforçarem a segurança em caso de reações violentas.

O relatório inclui descrições detalhadas sobre as técnicas que a CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) usou nos anos que se seguiram aos atentados de 11 de setembro de 2001.

As táticas empregadas para forçar os detidos a divulgar informações sobre tramas e células terroristas excediam e muito as técnicas autorizadas pela Casa Branca, pela CIA e pelos advogados do Departamento de Justiça do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, segundo o documento.

Casos nos quais os interrogadores da CIA ameaçaram um ou mais detidos com falsas execuções, uma prática jamais permitida pelos advogados do governo Bush, estão documentados no relatório.

O relatório conclui que os interrogatórios violentos não produziram nenhum dado de inteligência crucial que não poderia ter sido obtido com meios não coercivos.

Ex-líderes da CIA e do governo, incluindo o ex-vice presidente Dick Cheney, questionam a conclusão do documento.

Não ficou claro se a análise irá levar a novas tentativas de responsabilizar os envolvidos. O prazo legal para contestar muitas das ações prescreveu.   Continuação...