CIA enganou Casa Branca e público sobre interrogatórios “brutais”, diz relatório

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 18:26 BRST
 

Por Mark Hosenball

WASHINGTON (Reuters) - A CIA enganou rotineiramente a Casa Branca e o Congresso sobre seu programa de interrogatórios duros de suspeitos de terrorismo e, além disso, os métodos adotados, que incluíam a simulação de afogamento, foram mais brutais do que a agência reconheceu, segundo um relatório do Senado apresentado nesta terça-feira.

O programa, criado por duas empresas subcontratadas pela agência de inteligência com a finalidade de pressionar os suspeitos para que dessem informações após os atentados de 11 de Setembro de 2001, foi ineficaz e nunca conseguiu evitar um único complô, diz o relatório do Comitê de Inteligência do Senado.

O programa transcorreu de 2002 a 2006 e envolveu interrogatório de presos da Al Qaeda e outros em centros de detenção secretos em vários países, incluindo Afeganistão, Polônia, Romênia e Tailândia.

O relatório, divulgado após uma investigação de cinco anos, assinala que as técnicas utilizadas foram "muito mais brutais" do que a CIA informou ao público ou às autoridades. Sua divulgação levou ao reforço da segurança nas instalações dos Estados Unidos no exterior.

"Este documento examina a detenção secreta pela CIA no exterior de pelo menos 119 pessoas e o uso de técnicas coercitivas de interrogatório – em alguns casos, equivalentes a tortura", disse a presidente do comitê, Dianne Feinstein.

A CIA rejeitou as conclusões, dizendo que os interrogatórios resultaram, sim, em informações valiosas. Republicanos condenaram o relatório – que foi elaborado pelos democratas, majoritários no comitê – e afirmaram que ele irá deixar os norte-americanos em perigo.

Os exemplos específicos de brutalidade citados incluem a morte por hipotermia, em novembro de 2002, de um detento mantido parcialmente nu e acorrentado a um piso de concreto em uma prisão da CIA.

O relatório diz que a CIA tentou justificar a sua utilização do programa dando exemplos do que chamou de planos terroristas “frustrados” e capturas de suspeitos, mas as "representações eram imprecisas e estavam em contradição com os próprios registros da CIA".   Continuação...

 
A presidente do comitê de inteligência do Senado dos EUA Dianne Feinstein fala de relatório sobre a CIA no Senado. 09/12/2014.  REUTERS/TV Senado/Divulgação