À espera do BNDES, Sete Brasil pode receber novo empréstimo-ponte

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015 20:02 BRST
 

Por Aluisio Alves e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - A companhia de sondas de exploração para águas ultraprofundas Sete Brasil pode estar perto de receber um novo empréstimo-ponte de bancos comerciais, enquanto aguarda um desembolso do BNDES e aproximação de vencimento de dívidas.

Segundo duas fontes a par do assunto, uma linha de 800 milhões de reais, liderada pelo Banco do Brasil, está sendo costurada para a Sete Brasil e pode incluir instituições financeiras privadas.

O objetivo é aliviar o caixa da companhia, que tem nos próximos meses compromissos financeiros equivalentes a 4 bilhões de dólares relativos a empréstimos-ponte anteriores. Esses valores são justamente de empréstimos de curto prazo tomados para iniciar a produção de sondas até que a Sete recebesse 3,1 bilhões de dólares do BNDES.

O banco de fomento já aprovou a operação, mas estaria atrasando a liberação dos 3,1 bilhões de dólares por não ter ficado satisfeito com as garantias apresentadas, disse uma das fontes à Reuters.

A Sete poderia obter pelo menos parte do desembolso do BNDES até o fim de fevereiro, disse essa fonte, que pediu anonimato já que as negociações estão em andamento.

    A Sete Brasil planeja investir 25 bilhões até o fim da década para construir até 28 plataformas de perfuração em águas profundas que serão alugadas pela Petrobras, que é acionista da companhia, com cinco por cento do capital.

As duas primeiras sondas devem ser entregues até o fim do ano.

O episódio acontece num momento de crescentes temores do mercado de que o escândalo de corrupção na Petrobras e algumas das maiores empreiteiras do país, investigado na operação Lava Jato da Polícia Federal, contamine a cadeia de fornecedores da estatal.

Sete Brasil, Banco do Brasil e BNDES preferiram não se pronunciar sobre o assunto.

A empresa tem como acionistas os fundo de pensão Petros, Previ, Funcef e Valia, os bancos Santander, Bradesco e BTG Pactual, além das empresas de investimento EIG Global Energy Partners, Lakeshore e a Luce Venture Capital e o fundo FI-FGTS.