Petroleiras em fase de desenvolvimento veem benefícios com queda do petróleo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 17:28 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto grandes petroleiras amargam reduções de receita devido ao declínio progressivo do preço do petróleo, empresas de menor porte, com ativos ainda em fase de desenvolvimento, vislumbram uma melhoria das condições de mercado para os seus ativos.

Isso porque o cancelamento ou postergação de projetos em todo mundo, consequência da queda da commodity, já começou a causar um barateamento dos valores cobrados por serviços de óleo e gás, segundo petroleiras e especialistas ouvidos pela Reuters.

No Brasil, entre as petroleiras com projetos em exploração e desenvolvimento estão a australiana Karoon e a brasileira Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), entre outras, como Barra Energia, Ouro Preto e Petra Energia, beneficiando-se da conjuntura de menores custos após anos de preços do petróleo relativamente valorizados.

No caso da Petrobras, a principal cliente das empresas fornecedoras de equipamentos e serviços no Brasil, esse benefício também é visto, embora a estatal esteja amarrada, em determinados segmentos, como o de sondas de perfuração, a preços mais altos por contratos de longo prazo, iniciados antes do colapso dos preços do petróleo.

"Em um período com menor quantidade de projetos (globalmente), e ainda com pressões para que os custos sejam os menores possíveis, a concorrência aumenta e os preços (dos serviços) tendem a cair", disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro), Paulo Martins.

"Entendemos, que muitas empresas, prestadoras de serviços e fornecedoras de equipamentos, se prepararam para uma outra realidade", destacou Martins, em entrevista à Reuters.

Os preços do petróleo já perderam mais da metade do seu valor desde meados de 2014, com um aumento da oferta global. O referencial Brent é negociado atualmente perto de 50 dólares por barril.

O mercado brasileiro de fornecedores deve ser pressionado adicionalmente pelo efeito de uma esperada redução de investimentos da Petrobras. Mergulhada em acusações de que teria envolvimento em suposto esquema de corrupção, a estatal traça estratégias para não ter que recorrer a bancos em 2015.   Continuação...

 
REUTERS/Paulo Whitaker     (BRAZIL - Tags: BUSINESS ENERGY)