Grupo diz que "American Sniper" gera ameaças contra muçulmanos

domingo, 25 de janeiro de 2015 11:31 BRST
 

CHICAGO, Estados Unidos (Reuters) - Uma organização de direitos civis árabe-americana pediu que o diretor de "American Sniper", Clint Eastwood, e o ator Bradley Cooper denunciem a linguagem de ódio direcionada aos árabes e muçulmanos norte-americanos após a estreia do filme de Hollywood sobre um atirador da marinha norte-americana.

O Comitê Árabe-Americano Anti-Discriminação (ADC, na sigla em inglês) disse em carta a Eastwood e Cooper que seus membros se tornaram alvos de "ameaças violentas" desde o início da semana passada, dias depois da estreia de "American Sniper".

O filme recebeu seis indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, além de ser sucesso de bilheteria.

O ADC disse estar trabalhando com a polícia federal norte-americana (FBI) para avaliar as ameaças. A carta diz que Eastwood e Cooper, produtor e estrela do filme, podem dar credibilidade à mensagem de tolerância do comitê.

O filme conta a história de Chris Kyle, um membro da Marinha dos EUA que foi franco-atirador no Iraque. Kyle teve 160 mortes no Iraque, uma contagem que é considerada a maior da história militar dos EUA. Muitos acreditam que o filme limpa a representação de Kyle, que chamou os muçulmanos de "selvagens" em seu livro de memórias, e que o filme glorifica a guerra.

"É nossa opinião que vocês poderiam desempenhar um papel importante em nos ajudar a aliviar o perigo que estamos enfrentando", diz a carta, datada de 21 de janeiro. Uma cópia foi fornecida à Reuters no sábado.

Kyle foi morto a tiros por um veterano norte-americano descontente perto de sua casa no Texas, no início de 2013.

O presidente do ADC Samer Khalaf disse no sábado que não fazia sentido chamar um boicote para o filme, por conta de seu sucesso de bilheteria.

"As pessoas vão ver o filme. Se boicotarmos, só vai fazer com que as pessoas queiram vê-lo ainda mais", disse.   Continuação...