Montadoras veem quadro pior que o esperado para vendas no Brasil, preparam corte de projeções

quinta-feira, 5 de março de 2015 16:53 BRT
 

Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria brasileira de veículos vai cortar em abril projeções para este ano depois de um primeiro bimestre de vendas ainda piores do que as expectativas já pouco animadoras do setor.

Usando expressões como "bastante ruim" e "queda substancial" das vendas em fevereiro, o presidente da associação de montadoras, Anfavea, Luiz Moan, disse que a situação não mais se limita à queda de vendas apenas de veículos novos, mas de usados, que comumente servem como entrada em financiamentos.

"A perda de confiança do consumidor não se restringe mais a veículos novos, mas também aos usados, o que é extremamente preocupante", disse Moan a jornalistas nesta quinta-feira. Ele afirmou que enquanto a queda nas vendas de novos foi de 28 por cento em fevereiro sobre um ano antes, as vendas de usados recuaram 6,6 por cento. "Fazia muito tempo que não víamos queda nas vendas de novos e também de usados", disse Moan.

No primeiro bimestre como um todo, os licenciamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos caiu 23,1 por cento, para 439,75 mil unidades.

Com isso, o estoque de veículos novos à espera de comprador subiu a 329 mil unidades, suficiente para 50 dias de vendas, considerando o total licenciado em fevereiro.

Esse saldo ainda pode subir, uma vez que apenas no mês passado a Fiat Chrysler (FCHA.MI: Cotações) iniciou a produção de utilitários esportivos Jeep em uma nova fábrica em Pernambuco e a chinesa Chery iniciou no interior de São Paulo a produção de seus primeiros veículos no país.

A Anfavea, que afirma representar um setor responsável por 23 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) industrial brasileiro, começou o ano esperando estabilidade nas vendas de veículos novos em 2015, mas depois do desempenho de fevereiro resolveu antecipar do meio do ano para abril o trabalho de revisão das estimativas.

"Nós já esperávamos um primeiro trimestre extremamente difícil, mas confesso que está mais difícil do que estávamos prevendo", disse Moan.   Continuação...