Dilma precisa priorizar fim da crise com base governista, dizem aliados

quarta-feira, 18 de março de 2015 14:05 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - Com incêndios simultâneos para enfrentar e a maior reprovação a um presidente em mais de duas décadas, a presidente Dilma Rousseff vem sendo aconselhada a priorizar uma solução para a crise política, pois esse movimento lhe daria as condições necessárias para enfrentar a baixa popularidade e as dificuldades econômicas, segundo fontes próximas à petista.

A solução para a crise na base aliada, segundo duas fontes, passa principalmente pela incorporação do PMDB às decisões do governo e por uma articulação mais próxima com o PT na Câmara dos Deputados.

Além disso, na avaliação de um desses aliados, um petista que pediu anonimato, Dilma poderia mudar seus interlocutores políticos. A mudança passaria pela substituição do ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, que nunca foi unanimidade entre as bancadas do PT no Congresso e não tem interlocução com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Também poderia, momentaneamente, retirar o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da articulação política com os aliados e com o Congresso. Há muita resistência, principalmente no PMDB, com a condução das negociações de Mercadante.

Durante reunião na terça-feira em que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, apresentou detalhes do pacote anticorrupção que foi anunciado pela presidente nesta quarta-feira, houve novamente reclamações de aliados com a falta de traquejo de Mercadante, contou à Reuters um aliado peemedebista.

As duas fontes, porém, não souberam afirmar se a presidente já está convencida em fazer mudanças no ministério e nas funções de Mercadante.

"O diálogo prometido pela presidente tem que começar pela sua base aliada no Congresso. Se não consegue nem dialogar com sua base, não adianta tentar enfrentar as outras crises", disse a fonte peemedebista.

Dilma tem sido aconselhada, inclusive pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a e se aproximar mais do vice-presidente Michel Temer, ao mesmo tempo em que restabelece prioritariamente a relação com o PMDB.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. 16/3/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino