ESTREIA-Protagonista convive com culpa e vingança na sequência de "Insurgente"

quarta-feira, 18 de março de 2015 16:21 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Quando se fala em sagas cinematográficas baseadas em séries de livros juvenis, geralmente as novas produções deste recente subgênero são comparadas apenas aos sucessos comerciais e, às vezes, de crítica: a precursora e clássica “Harry Potter” (2001-2011), a divisora de águas “Crepúsculo” (2008-2012) e aquela que elevou o patamar nessa área, “Jogos Vorazes” (2012-2015).

Entretanto, devia-se lembrar também daquelas franquias cambaleantes, a exemplo de “As Crônicas de Nárnia” (2005-2010) e “Percy Jackson” (2010-2013), ou que nem passaram do primeiro longa, como “A Bússola de Ouro” (2007) e “Instrumentos Mortais” (2013).

Por isso, já é um grande feito o lançamento de “A Série Divergente: Insurgente” (2015), sequência justificada pelos 288 milhões de dólares da bilheteria mundial conquistada pelo primeiro filme. Contudo, a pressa imposta em sua produção, que estreia um ano depois de “Divergente” (2014), a troca de diretores – sai Neil Burger, entra Robert Schwentke – e a certeza de que dois novos longas serão realizados para adaptar “Convergente”, o último livro da trilogia escrita por Veronica Roth, não ajudaram neste caso.

Apesar de algumas evoluções, o saldo final da continuação fica abaixo de seu antecessor e exemplo disso é que, embora tenha menor duração, este é mais cansativo que o outro.

“Insurgente” começa pouco tempo depois dos acontecimentos da história anterior, que terminava com Beatrice Prior, a Tris (Shailene Woodley), fugindo do massacre ocorrido na Abnegação, junto do seu ex-instrutor e namorado Quatro (Theo James), o pai dele Marcus (Ray Stevenson), seu irmão Caleb (Ansel Elgort) e o ambíguo colega Peter (Miles Teller).

A nova produção logo lança breves esclarecimentos para iniciados na série, a exemplo da locução oficial do governo explicando que Chicago, em um futuro não definido, foi dividida em cinco facções, conforme as aptidões de cada um, a fim de assegurar a paz. Diálogos esclarecem que Beatrice cresceu junto da família na Abnegação, lar dos altruístas, mas no momento de escolher para onde iria, descobriu que era uma divergente, ou seja, tinha talento para pertencer a várias facções. Mas como a sua condição era condenada pelas autoridades, ela acaba indo para a Audácia, reduto dos valentes.

Nisso, o filme introdutório de Burger era mais um drama adolescente inserido na estrutura de uma ficção científica do que uma distopia. O foco estava na busca e expansão de sua própria individualidade, algo comum nesta faixa etária, com a descoberta de seu lugar no mundo, desenvolvimento de suas habilidades, dentro de uma ideia de não-categorização delas e de si mesmo. A chegada de Tris à sede da Audácia parece a de um(a) jovem chegando na faculdade, apesar do lugar se assemelhar mais a um campo de treinamento militar, familiarizando-se com as atividades, os colegas e o amor, no caso de Tobias “Quatro” Eaton.

Schwentke, que possui uma filmografia irregular – altos, como “Plano de Vôo” (2005) e “Red: Aposentados e Perigosos” (2010), e baixos, a exemplo de “R.I.P.D. – Agentes do Além” (2013) –, tem o mérito de conseguir ambientar melhor essa Chicago futurista e distópica, apresentando as facções relegadas no longa anterior e um pouco da tensão local.

Fugitivos do governo, Tris e os seus se refugiam na morada da Amizade, espécie de centro hippie guiado por Johanna (Octavia Spencer). Depois encontram os sem-facção e, ao mostrar o esconderijo subterrâneo deles, revela-se que a sua líder é Evelyn (Naomi Watts), a mãe de Tobias que planeja uma revolução para derrubar o governo da déspota Jeanine Matthews (Kate Winslet), chefe da Erudição, o grupo dos inteligentes. Querendo se vingar dela, a protagonista também vai com o parceiro para a Franqueza, onde os honestos, comandados por Jack Kang (Daniel Dae Kim), abrigaram seus amigos dissidentes da Audácia.   Continuação...

 
Atores de "Insurgente" Shailene Woodley e Theo James em lançamento do filme em Londres. 11/03/2015.  REUTERS/Paul Hackett