ESTREIA-Adaptação da obra de Jorge Amado, "O Duelo" traz atuação inédita de José Wilker

quarta-feira, 18 de março de 2015 16:21 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O grande chamariz de "O Duelo" (2015) é o fato de o trabalho mais recente do cineasta Marcos Jorge trazer uma das últimas atuações de José Wilker. O ator, falecido em abril de 2014, teve uma extensa e memorável carreira na televisão e no cinema, com mais de 50 filmes.

Além deste, ainda restam os lançamentos de dois longas que contam com a participação dele: “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (2011), exibido no Festival do Rio de 2011 e ainda inédito em circuito comercial, e a animação “Nautilus” (2014), que teve a sua estreia adiada no ano passado, sem previsão de nova data.

Além de Wilker ser o coprotagonista junto ao português Joaquim de Almeida --tentando diminuir o seu sotaque ao máximo--, é a sua entrada que dá fôlego a esta adaptação de Os Velhos Marinheiros, de Jorge Amado.

O romance foi publicado originalmente em 1961, com o nome “A Completa Verdade Sobre As Discutidas Aventuras Do Comandante Vasco Moscoso De Aragão, Capitão De Longo Curso”, dentro do volume “Os Velhos Marinheiros” (junto com a novela “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”). E, como o título completo entrega, a trama gira em torno da dúvida sobre a veracidade do personagem principal.

O primeiro ato mostra a chegada de Vasco Moscoso de Aragão (Joaquim de Almeida) à vila de Periperi, não apresentada aqui como a estância do litoral baiano, em plena década de 1920, como no livro, e sim um lugarejo de uma região não especificada, em um passado indefinido, mas que guarda semelhanças com o presente.

Foi uma opção do diretor para diminuir a “baianidade” de Amado e tornar sua obra mais universal e atemporal. No entanto, mantém-se o encanto dos habitantes do local pelas histórias do recém-chegado, que se identifica como um capitão de longo curso.

As aventuras dele fascinam a todos, gerando ciúme, inveja e desconfiança no cidadão que antes era o mais célebre de Periperi, o doutor Chico Pacheco (José Wilker), quando este retorna ao lugar.

Logo, ele o investiga e conta ao povo o que diz ter descoberto sobre o tal comandante, o que, consequentemente, detona de vez o duelo oral entre esses dois famosos tipos locais. Por isso, a entrada de Wilker, esbanjando ironia em seu personagem, põe fogo em uma trama que parecia até então muito morna.

Por outro lado, o foco nos dois gera certo ofuscamento do resto do elenco, especialmente o feminino, que aparece mais durante as narrativas da vida pregressa de Vasco.   Continuação...

 
José Wilker em cena do filme "O Duelo". REUTERS/Divulgação 18/03/2015