Decisão de colocar Temer na articulação foi pacificadora, diz Jaques Wagner

terça-feira, 14 de abril de 2015 15:39 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A entrega da articulação política ao vice-presidente Michel Temer foi um solução pacificadora encontrada pela presidente Dilma Rousseff para dar andamento às negociações do governo em várias frentes, avaliou nesta terça-feira o ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Segundo o ministro petista, a presidente compreendeu que comanda um governo de coalizão e precisa dividir decisões, vitórias e até derrotas com os seus aliados.

“Não tenho visão absolutista do poder, acho que ele tem que ser compartilhado... o movimento da presidente Dilma de trazer o vice-presidente para o centro da articulação foi uma medida pacificadora da presidente”, disse o ministro a jornalistas no Rio de Janeiro.

“Não temos um sistema bipartidário como em outros países, somos plural. Então, temos que evidentemente trabalhar em coalizão e ninguém entra numa coalizão se não puder compartilhar ônus e bônus", afirmou.

Temer é também o presidente do PMDB, maior partido da base governista, que vem dando dor de cabeça ao governo no Congresso, onde a legenda preside a Câmara dos Deputados e o Senado.

O ministro, ex-governador da Bahia, discordou da opinião do colega de partido e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro sobre o atual papel do PT, que seria secundário, segundo o gaúcho. Wagner também negou que o governo estaria nas mãos do PMDB, dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), e do Senado, Renan Calheiros (AL).

“Não acho que o papel do PT é secundário. As ruas mostram que as pessoas protestam contra o governo e contra o PT, o que mostra o nosso protagonismo”, disse, numa referência aos protestos, como o ocorrido no domingo.

Sobre a defesa de intervenção militar feita por alguns manifestantes que foram às ruas, Wagner disse que essa “bandeira não consegue motivar ninguém”.

Acompanhado por militares da Marinha, Exército e Aeronáutica, o ministro afirmou que não existe nenhum movimento de militares nesse sentido.   Continuação...

 
Ministro da Defesa, Jaques Wagner, no Rio de Janeiro.  14/4/2015 REUTERS/Pilar Olivares