Premiê italiano pede ação conjunta da UE para acabar com crise imigratória

quarta-feira, 22 de abril de 2015 11:39 BRT
 

Por Isla Binnie e Philip Pullella

ROMA (Reuters) - A União Europeia precisa tomar uma posição coletiva para combater o tráfico de Imigrantes na sua origem em países africanos, disse nesta quarta-feira o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, à frente de uma cúpula emergencial dos líderes do bloco para discutir a crise.

Até 900 pessoas podem ter morrido após o naufrágio de um barco que seguia da Líbia para a Europa no final de semana, incluindo muitas mulheres e crianças presas no convés, o que levou a pedidos de uma ação conjunta para interromper o fluxo migratório de fugitivos de guerras na África e Oriente Médio.

As mortes causaram um choque na Europa, onde a decisão de reduzir operações navais no ano passado parecem ter aumentado os riscos para imigrantes, sem reduzir seus números.

Renzi falou enquanto navios da Marinha e da guarda costeira italiana levavam mais de 1.200 imigrantes resgatados em outra operação desde segunda-feira para portos no sul da Itália. Um navio carregando 545 imigrantes, incluindo 174 mulheres e crianças, seguia para Salerno, sul de Nápoles, para diminuir o número de pessoas nos portos da Sicília.

"Estamos pedindo para isto ser uma prioridade para uma União Europeia que quer ser outra coisa além de uma assembleia de países membros em um clube econômico, algo além de um clube de técnicos intelectuais que sabem tudo de dinâmicas geopolíticas e esquecem de responder às dores do nossos tempos", disse Renzi ao Parlamento.

Perguntado sobre como a Europa podia ajudar mais a Itália, o comissário da UE para Imigração, Dimitris Avramopoulos, disse ao jornal La Stampa nesta quarta-feira que o bloco "não pode impor cotas" no número de migrantes aceitos por países.

"Vamos inaugurar um projeto piloto de relocação voluntária para refugiados. Vamos receber os necessitados que aceitam", disse.

A UE aceitou na segunda-feira em fazer um plano para prevenir mais tragédias, incluindo dobrar a pequena missão naval no Mediterrâneo, que entrou no lugar de uma operação italiana de maior porte.

 
Primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, durante entrevista coletiva em Roma.  19/04/2015   REUTERS/Tony Gentile