Térmica de R$3,3 bi movida a GNL importado é maior vendedora do leilão A-5

quinta-feira, 30 de abril de 2015 18:31 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Maior vendedora do leilão de energia A-5 realizado nesta quinta-feira, a termelétrica Porto de Sergipe I, de 1,5 mil megawatts (MW), é um projeto do grupo nacional Genpower Energy que vai usar gás natural liquefeito (GNL) importado para operar após investimentos de cerca de 3,3 bilhões de reais.

O projeto terá que entregar energia a partir de janeiro de 2020 e será abastecido por um terminal de regaseificação a ser instalado em Sergipe, numa estratégia semelhante à adotada pelo grupo brasileiro Bolognesi, que saiu entre os vencedores do último leilão A-5 realizado no final do ano passado.

"O risco é zero. O projeto já está todo estruturado", disse o diretor jurídico da Genpower, Julio Matuch, à Reuters. Ele evitou comentar o nome do fornecedor do GNL, mas afirmou que se trata de uma das maiores empresas do setor no mundo, atualmente.

Segundo Matuch, o financiamento do investimento na usina será feito 85 por cento via créditos de exportação e o restante, via capital próprio. Não há intenção de uso de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "A engenharia do projeto já está toda contratada", afirmou ele sem dar mais detalhes.

O projeto da térmica em Sergipe marcará a primeira vez que a empresa fundada em 1993 vai operar uma termelétrica. Para isso, a companhia acertou uma parceria com a brasileira Eletricidade do Brasil SA (EBrasil), disse Matuch.

Anteriormente, a companhia atuava na concepção dos projetos, sem se envolver na operação. A Genpower estruturou 21 projetos de térmicas que foram vendidos em bloco para o grupo Bertim em 2008, disse o diretor jurídico.

Após vencer o leilão A-5, o objetivo da Genpower agora é ter projetos de energia renovável, "pelo menos mais dois projetos", disse Matuch, sem comentar a natureza das fontes.

Quando concluída, a usina Porto de Sergipe I será uma das maiores termelétricas do país e será construída em um momento em que grupos privados do país tentam reduzir dependência do fornecimento de gás da Petrobras. Os projetos do grupo Bolognesi, por exemplo, incluem duas térmicas de 1.200 MW cada que serão ligadas a terminais de regaseificação, em investimentos de 6 bilhões de reais.

A térmica de Sergipe vendeu 867 megawatts médios de um total negociado no leilão de 945 MW médios vendidos de empreendimentos termelétricos no certame. A usina é de ciclo combinado, usa a queima do GNL para gerar energia e o gás resultante aquece caldeiras cujo vapor também reforça a geração de eletricidade.   Continuação...